segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SHOW DOS RAIMUNDOS E TITÃS-CITIBANK HALL-RIO DE JANEIRO

   As duas maiores bandas de Rock do Brasil, depois de terem lançado em 2014 os melhores trabalhos em anos, se juntaram para uma apresentação no Citibank Hall, a melhor e maior casa de shows da cidade (HSBC Arena é arena multiuso). Tinha tudo para ser uma noite espetacular. De fato, foi muito boa, mas a falta de trabalho de divulgação e comparecimento do público prejudicaram, assim como os setlists, que poderiam ser melhores. Mesmo assim, o saldo foi positivo, já que Raimundos e Titãs não brincam em serviço.
   Quando entrei na casa, na  época de ATL/Claro hall bem mais dedicada ao Rock, o público era assustadoramente baixo. Atualmente, raríssimos shows acontecem na casa, infelizmente. Na hora, a coisa melhorou, e cerca de 2 mil pessoas (no olhometro) deram as  caras. Muito pouco para um lugar que cabe 8 mil, e para bandas que sempre esgotam sozinhas shows no Circo Voador. Os Titãs, por exemplo, lotaram a Fundição Progresso (5 mil pessoas) em 2012. Público teria, mas um evento mal trabalhado em termos de divulgação acaba naufragando, por melhor/maior que seja a banda. Fiquei na pista premium, coisa rara, mas os 50 reais cobrados eram convidativos.
   Boa parte dos presentes estava lá pelos Raimundos, e camisas de bandas como Suicidal Tendencies, D.R.I e Metallica, além de incontáveis da banda de Digão, indicavam o perfil deles. A banda abriu a apresentação com a nova Gato da Rosinha, e com ela aquele mosh matador sempre presente. Mulher de Fases, a música mais conhecida, vem depois, como sempre cantada em uníssono. Indo diretamente para o primeiro disco, a clássica Nega Jurema aparece para o delírio dos fãs dos primórdios dos Raimundos. Já incorporada ao set há tempos, é sempre um grande momento.  Descendo na Banguela mostra a força de Cantigas de Roda, já na boca do povo, assim como o hit Baculejo. O Pão da Minha Prima é outro baita momento. Palhas do Coqueiro sempre se destaca. A noite reservou ainda BOP, Nó Suíno, Gordelícia e Importada do Interior do trabalho mais recente, além das sempre dispensáveis e infelizmente presentes A Mais Pedida, Me Lambe e Reggae do Maneiro. Tora-Tora teve uma participação ridícula de grande parte do público, que assistiu ao clássico parado. Talvez por isso, Digão falou que no seu tempo, escutavam o disco completo, e exaltou a sequência do Lavô tá Novo como o hino Eu Quero é Ver o Oco. Faltaram incontáveis clássicos, mas a presença de Mato Veio, Deixa eu Falar, 20 e Poucos Anos (com direito a brincadeiras de Digão sobre Fabio Jr) e Pintando no Kombão fizeram valer a noite, assim como o sempre clássico encerramento com Puteiro em João Pessoa. O show da banda está caindo numa repetição que poderia ser evitada, já que clássico não falta. A formação com Digão, Canisso, Caio e Marquin está consolidada, e mesmo com setlists previsíveis, o show sempre é forte. O retorno a casa aonde foram escritos capítulos gloriosos da banda, como a histórica apresentação na turnê do Só no Forévis (no youtube tem o vídeo completo), foi de certa forma emocionante para quem acompanha o Raimundos de perto. Ver a banda retornar a palcos como este depois de mais de 10 anos mostra que ela está no caminho certo.
   O público era diferente do que sempre comparece ao Circo Voador para shows isolados das duas bandas, inexplicavelmente. Muitos foram vencidos pelo cansaço, e o show dos Titãs que começou lotado foi se esvaziando. Nos Raimundos, um show nota 7, com sensação que poderia ser ainda melhor, mas que agradou em cheio aos presentes. Em ambas as apresentações, músicas que normalmente são muito celebradas foram recebidas com certa apatia.
   Era então a vez dos Titãs mostrarem sua força. Digão citou a importância da banda na história dos Raimundos, tendo os fãs de sua banda criando um mosh insâno em certos momentos da apresentação dos oitentistas. Também lançando uma obra-prima, várias novidades aparecem na apresentação, iniciada com base no trabalho. Fardado, Eu Me Sinto Bem, Cadáver Sobre Cadáver e Chegada ao Brasil (Terra à Vista) deram o pontapé inicial do show, mostrando que quando o lançamento é bom, merece ser mostrado. Policia é o 1o clássico, abrindo uma roda do tamanho da que foi comandada durante dodo o show dos Raimundos. A força única deste marco do Rock brasileiro é capaz de fazer isso. Em seguida, clássicos como Lugar Nenhum e Aluga-se, ótimo cover de Raul Seixas, deixaram um clima maravilhoso de Rock N'Roll no ar, com fãs das duas bandas celebrando o estilo. Alguns comandaram o mosh-pit durante toda a apresentação. O show mesclou músicas novas, como a magnífica Mensageiro da Desgraça, Flores Para Ela e Fala, Renata, com clássicos incontestáveis do porte de Pulsos, Cabeça Dinossauro, Flores, Bichos Escrotos, Igreja, Comida, Desordem, Vossas Excelências, AA,UU e Homem Primata. Com a inclusão de algumas baladinha desnecessária como Go Back e Epitáfio, somado o desinteresse de parte do público da própria banda, deixaram as coisas um pouco cansativas no final. O show foi legal, mas um set como o do Circo Voador e um público mais forte durante todo o show melhorariam as coisas. O encerramento com Pra Dizer Adeus foi dispensável, e acabei deixando a casa já muito cansado do bate-cabeça.
   O saldo foi positivo no final das contas. Duas ótimas apresentações, que poderiam ser ainda melhores, para um público abaixo das expectativas e cheio de altos e baixos. Um casamento de tamanha força poderia ser melhor, mas foi interessante. Acabou sendo uma boa noite de Rock N'Roll brasileiro, mas a coroação de um grande ano para essas duas lendas poderia ser mais grandiosa, se melhor trabalhada. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

SHOW DO METAL "SCRAPS" STARS-ESPAÇO DAS AMÉRICAS-SÃO PAULO

   A ideia de juntar uma seleção forte de nomes do Heavy Metal mundial parecia ótima. Infelizmente, apenas parecia, porque na prática, o resultado foi desastroso. Em seguida, farei um relato pessoal de quem viajou para São Paulo no intuito de assistir ao "Dream Team" do Heavy Metal mundial e acabou vendo um bailão mal ensaiado das sobras dos convidados.
   O evento anunciou um line up de peso, e a cada Cronos, Belladona, Max, Chuck Billy e Labrie anunciados, minha empolgação ia nas alturas, e tal time me motivou a comprar o ingresso. Já com passagens e ingressos comprados, minha expectativa aumentava, mas ao mesmo tempo cabia uma reflexão sobre como seria o evento. Tudo era uma grande surpresa, desde o setlist até a performance dos músicos, e foi ai que parei para pensar no obvio. A ideia é boa, mas na prática é muito complicado juntar 14 músicos que não tocam juntos, com outras bandas em atividade e pouco tempo para ensaiar, o que é o segredo para uma boa apresentação. Não adianta amigos, pode ter certeza que para cada show matador do Iron Maiden ou do Slayer, foram gastas horas dentro de uma sala com os músicos repetindo cada nota, resultando numa performance impecável. Mesmo sem saber o que seria do show, e até com dúvidas em relação a minha escolha, o coração falava mais alto que a rezão, e estar de frente com alguns dos meus maiores ídolos me fez pegar o avião com um enorme sorriso no rosto. Já chegando em São Paulo, começa na prática a deprimente apresentação.
   Amigos me enviando mensagens, e posts recentes na página do evento, traziam as más novas. Cronos não iria participar do show na Bolivia, que aconteceu no dia da minha chegada, e também do show no Brasil, e Belladona, Chuck Billy e Guns G estavam fora da Bolivia, mas ainda não oficialmente do Brasil. Os três vocalistas eram a minha maior motivação para o show, levando em consideração o fato de nunca ter visto o Testament e o Venom ao vivo. Foi um balde de água fria. A falta de profissionalismo de TODOS os envolvidos em segurar para a última hora uma noticia que seguramente já era sabida há tempos foi revoltante. Cronos disse, entre outras  coisas, que não poderia dizer que cancelou, já que nem sabia do evento e  nunca esteve confirmado. A produtora brasileira se pronunciou, falando em problemas entre a empresa que vende o evento e os artistas, sendo ela a principal responsável pelo pagamento e outras burocracias diretas que implicam na vinda das bandas. Já no sábado, Guns G, Joey Belladonna e Chuck Billy estavam definitivamente desligados do show. Já que estava lá, me restou curtir o dia com os amigos cariocas e paulistas e fazer as compras de sempre na Galeria do Rock, além de assistir aos shows das bandas de abertura e o que sobrou do Dream Team.
   Obviamente, o que já não estava muito ensaiado ficaria pior com as baixas e improvisações impostas, e eu não esperava nada de espetacular de um evento tão mal organizado. Chegando ao Espaço das Américas, percebi que a movimentação não era lá muito grande. Apesar do marketing do evento, ele sim feito com perfeição, tentar tapar o sol com a peneira falando em "últimos ingressos a venda", todos sabiam que as vendas já não eram muito significativas para uma casa com capacidade para 8 mil pessoas, e os cancelamentos causaram a desistência de muitos que já compraram suas entradas. Na prática, o público presente caberia perfeitamente no Carioca Club, e inúmeros espaços vazios se acumulavam ao redor da pista. No famoso "olhometro", calcularia umas 1500 pessoas presentes, muito pouco para uma casa do porte do Espaço das Américas. Chega então a hora dos shows.
   Cheguei durante a apresentação do Capadocia, que faz um som interessante, numa linha Death/Thrash Metal. Consegui vê-los fazendo uma ótima versão para Spirit in Black, do Slayer. Em seguida veio o Project46. Gosto da banda, com um som mais voltado para o MetalCore, mas ainda interessante. Mesmo assim, por vezes o vocalista Caio cai num discurso de adolescente revoltado, cheio de "merda, vamos tacar o foda-se" e outras inutilidades repetidas para se parecer algo "mal", ou "Pesado", sem a menor necessidade. A banda tem peso o suficiente para se impor com o som. Por falar em peso, o mesmo Caio exagera nos berros sem nexo ao vivo, ao menos nesse show, fazendo com que as ótimas letras da banda fiquem indecifráveis. Uma pena, já que o Project é a banda mais forte da nossa cena atual, contando com o apoio de nomes de peso e mexendo com a cabeça de muitos. Mesmo assim, o show foi interessante.
   Chega então a hora do verdadeiro show da noite, o do Korzus. Falar da banda é chover no molhado, todos sabem da maravilhosa história de 30 anos dos paulistas, um dos nomes mais representativos da história do Heavy Metal brasileiro. Quem já viu algum show deles, sabe que é matador, e esta seria a minha 1a oportunidade. Lançando o ótimo Legion, Pompeu comandou um passeio certeiro pela história do Korzus. Sem Dick Siebert, que chegou a subir no palco para falar com o público machucado, Marcello Soldado se apresentou no baixo. O mosh comeu solto durante toda a apresentação, e momentos como a recente Dicipline of Hate e o hino máximo Correria lavaram a alma dos fãs, secos pelo legítimo Heavy Metal. Ainda teve muito mais, como What Are You Looking For, Respect, Never Die e a nova Self Hate. Um show irretocável de uma banda grandiosa, para fazer valer o dinheiro investido.
   Agora era hora das "estrelas". O começo foi com Kobra Page cantando, e fazendo papel razoável, em músicas que não se encaixam na sua voz. Em homenagem ao guitarrista Ross the Boss, do Manowar, foram apresentadas Kings of Metal e Hail and Kill. Momento de extremo tédio para mim, já que nunca fui fã da banda. David Ellefson fazia o possível no baixo, mas o guitarrista "principal" errava tudo, claramente por falta de ensaio. Para o lugar de Guns G, Baffo, guitarrista e vocalista do Capadocia foi chamado, e como não teve tempo algum de ensaio, não se encontrou com o resto da banda. Vinnie Appice fica despercebido na bateria, e uma das lendas do instrumento faz o seu papel. Mesmo assim, era tudo uma bagunça. Fear of The Dark é cantada por todos, mas erros clamorosos de Ross prejudicam em muito a versão. A banda de Ellefson é lembrada, com a versão de Symphony of Destruction. Chega a vez de Geoff Tate cantar, mas até ele errou parte da letra do hino Neon Knights. Jet City Woman, clássico do Queensryche, chegou depois. Apesar do erro, o vocalista fez um ótimo papel. Agora Kiko Loureiro entrou para tentar colocar ordem na casa, e honestamente fez um trabalho ótimo. Tava complicado tocar ao lado do Boss, mas Kiko mostrou o grande guitarrista que sempre foi. James Labrie veio cantar I Got You, do seu disco solo, e a magnífica Pull Me Under, clássico do Dream Theater, mas sem Petrucci e cia não estava dando. A banda fez o possível, mas os companheiros do vocalista fizeram falta. Depois veio o único momento grandioso da apresentação, um Max Cavalera endiabrado. Visivelmente irritado com tudo que vem acontecendo, Max reclama dos problemas com sua guitarra e comanda com fogo nos olhos um público que foi a loucura ao vê-lo ali. Roooooooots Bloody Roooooooooots é cantada por todos, abrindo um mosh absolutamente matador. Depois veio Eye for an Eye, do Soulfly, menos forte, mas também bem recebida. Infelizmente, o set mais poderoso da noite teria fim, mas de maneira espetacular. Max apresenta a banda, com carinho especial por Ellefson. O vocalista pede ao baixista para mandar o clássico riff de Peace Sells, seu maior legado, uma sacada brilhante, e em seguida fala do Motorhead. Quando todos esperavam pela tradicional Orgasmatron, veio a surpreendente Ace of Spades.
   Depois de Max, se deu inicio ao interminável intervalo, já às 2h30 da madrugada. O cansaço já era maior que tudo, e a revolta com a fraca apresentação me fez sair antes mesmo do show de Zakk Wylde, que de acordo com relatos foi uma homenagem ao bom e velho Sabbath. O evento foi um fracasso de público, e principalmente, de música. Nada combinava com nada, ausências de última hora substituídas as pressas e erros amadores deram o tom geral, que junto com o horário absurdo, deixaram a noite com um gosto um tanto quanto amargo para o chamado "show do ano". Em sintesi, o público assistiu a um bailão mal ensaiado, digno das piores bandas covers de botecos baratos. Se teve algo para salvar a noite, foi o bom e velho metal nacional, representado nas figuras de Felipe Andreoli e Kiko Loureiro, Max Cavalera e Korzus. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

SYSTEM OF A DOWN-MODERNO E ORIGINAL, SEM DEIXAR DE SER BOM

   Como o Rock in Rio é o evento musical de maior relevância no Brasil, sempre deixando um espaço fundamental para o Rock N'Roll e Heavy Metal na sua programação, farei analises sobre as atrações do gênero a serem anunciadas, contando a vocês o que espero das suas apresentações. Como o System of a Down foi a primeira banda de Rock anunciada para 2015, vamos a eles.
   A banda liderada por Serj Tankian e Daron Malakian surgiu na geração que considero a pior da história do Heavy Metal. No final dos anos 90, início do 2000, pipocavam lixos do chamado New Metal fazendo sucesso mundial, como Korn, Limp Bizkit, Linkin Park e Slipknot (apesar de detestar a banda, estão muito acima dos "companheiros", consigo entender quem gosta e até respeito o seu estilo, apenas não faz minha cabeça). Nesta mesma época, surgiu o System of a Down, que injustamente foi jogado no mesmo grupo de seus companheiros de geração, mas a comparação é totalmente desigual. 
   O som da banda é totalmente diferente de tudo já feito anteriormente, com forte influência da música folk da Armênia, Jazz, Blues, e diretamente do Faith no More, mas sem o objetivo de copiar a música de Mike Patton e cia. Como a originalidade é o segredo do sucesso, não deu outra, e o System estourou. Mesmo com toda esta mistura em um único som, o Metal praticado por eles é de ótima qualidade, sem seguir claramente nenhuma das vertentes, soando moderno, e ainda assim com indiscutível bom gosto, algo que nenhuma das bandas surgidas nesse século conseguiu fazer. 
   No Brasil, a banda é amada, e isso ficou provado na espetacular apresentação do System of a Down em 2011 no mesmo festival. Esta foi a única turnê deles por aqui, fazendo com que o retorno 4 anos depois seja muito aguardado. Eles não trazem nada de novo em sua curta discografia, com apenas 5 discos, mas o que já existe na bagagem pode proporcionar um grande show de Rock.
   Uma exceção que confirma a regra, a única grande banda que alcançou o estrelato numa geração pobre musicalmente, seguramente fará um show ótimo para sua legião de fãs brasileiros. Existe como soar moderno, diferenciado, e com muita qualidade no cenário da música pesada. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

SLASH-WORLD ON FIRE

   Mal percebemos, e num piscar de olhos o eterno guitarrista do Guns N'Roses já está no seu terceiro disco solo. Depois de rodar com o Snakepit e desfrutar de grande sucesso com o Velvet Revolver, o "cartola" resolveu se jogar na carreira solo. Primeiro promoveu um "bailão" na sua estreia, e tendo encontrado a sua banda no segundo, deu continuidade no disco seguinte. World on Fire segue a linha de Apocalyptic Love, e nos proporciona grandes momentos. O que complica as coisas é a primeira coisa que chama a atenção do ouvinte, o número de faixas. Um disco tem normalmente entre 8 e 12, e as 17 que Slash e sua banda apresentam é um exagero sem tamanho, em certos momentos cansando quem põe o disco completo pra jogo. Mesmo assim, a qualidade da grande maioria é indiscutível, obviamente para os padrões atuais (preciso dizer que a comparação com a banda que consagrou o guitarrista é perda de tempo?). A questão é que um disco de tamanha envergadura só não fica cansativo e exagerado quando o trabalho em questão é o White Album dos Beatles ou o The Wall do Pink Floyd, citando apenas dois exemplos. Qualquer um mais normal exige uma melhor seleção.
   Falando diretamente das músicas, apesar dos pesares, considero este aqui o melhor trabalho de Slash na sua carreira solo, aperfeiçoando o que já era muito bom em Apocalyptic Love. A sua performance é inspiradíssima, e o acompanhamento de  Brent Fitz  (Bateria), Todd Kerns  (baixo) e Myles Kennedy (vocais) muito bom. O vocalista se encontrou definitivamente com o líder, cantando como nunca. A abertura com a faixa-título é fortíssima, e ao vivo deve crescer bastante. Outros destaques ficam para a pesadíssima Automatic Overdrive, a mais cadenciada e belíssima Bent To Fly, Too Far Gone, muito bem sacada e com instrumental impecável, a ótima Dirty Girl e a magnífico encerramento com The Unholy. O disco é dominado por um Hard Rock sem firulas e de extremo bom gosto.
   O saldo é positivo. A banda está acertada, e demonstra ser capaz de geral frutos por um bom tempo, indo muito além de uma carreira solo feita para arrancar dinheiro com antigos sucessos. Slash não está no mesmo clube de Eddie Van Halen, Tony Iommi, Jimmy Page e Eric Clapton, mas sua carreira mostra que ele é grande, sabendo como poucos fazer o seu instrumento cantar. Com turnê marcada para o Brasil em 2015, Slash e sua trupe tem tudo para matar a pau no palco, com entrosamento de sobra.

   

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

SHOW DO PAUL MCCARTNEY-HSBC ARENA-RIO DE JANEIRO

   Não existem palavras para descrever a emoção que senti ontem assistindo ao show do Paul McCartney no Rio de Janeiro. Quem já viu este senhor ao vivo sabe que é diferente de tudo. O amor pelo Rock N'Roll que este sujeito tem, do alto dos seus 72 anos, é colocado em prova a cada noite com 3 horas de apresentação visceral que faz questão de apresentar, sem intervalos e enrolação. O fato de ter gravado um disco ainda relevante no ano passado, fazendo questão de incluir 4 músicas no repertório, também chama a atenção. Fora tudo isso, o estado também impecável da sua voz em cada uma das 39 músicas faz do que Paul é hoje um caso de estudo para a ciência.
   A escolha inusitada do Hsbc Arena para um show que poderia facilmente lotar o Maracanã teve pontos positivos e negativos. A proximidade de todos os setores foi espetacular, além da confortável acomodação e facilidade de comprar bebidas e alimentos, tudo compensado com um preço irreal dos ingressos e demais serviços. Apesar disso, o acesso ao local distante e o transito caótico fez grande parte do público chegar em cima da hora, muito por causa do temporal que caiu por volta das 7 da noite. Houve muita reclamação em relação ao momento de abertura dos portões, mas honestamente  não vi, pois só consegui chegar ao local uma hora antes, quando já estava tudo resolvido. O som começou péssimo, extremamente baixo e embolado, melhorando no decorrer do show, mas longe do ideal. Tal fato surpreende, já que o lugar era fechado. O público ficou bem mais participativo na "reta final" da apresentação, mas fez bonito nos clássicos arrasa quarteirão. Mesmo assim, os que foram deixados de fora pelo critério financeiro poderiam ter feito melhor em momentos como Listen to What the Man Said , por exemplo. Mesmo assim, talvez só um desastre natural incontrolável sejá capaz de prejudicar uma apresentação de Paul McCartney.
   Com um atraso proposital de meia hora, para que todos chegassem, o Beatle entra no palco com o hino Eight Days a Week. Inicio arrebatador e irresistível, mas infelizmente com qualidade sonora sofrível. Já em Save Us, ele melhorou e se manteve mais ou menos na mesma ao longo da apresentação. A ótima música do novo trabalho apresentou-se forte ao vivo.  Na 3a música, a coisa realmente ficou séria. All My Loving não precisa de maiores apresentações, e seus primeiros versos já conquistam o público. Listen to What the Man Said é uma das melhores músicas do Wings, e um dos maiores acertos do setlist. Foi realmente um momento de grande emoção para mim, que considero não só ela, mas todo o disco Venus and Mars uma verdadeira obra-prima. Para seguir, mais um clássico dos Wings, a também maravilhosa Let Me Roll It. Entre cada música, Paul se dirige ao público com um carisma invejável e emocionante, que transforma o show dele em algo perfeito nos mínimos detalhes, com tudo feito e pensado na medida certa. Então nada melhor que mais uma maravilha Beatle, agora Paperback Writer. Depois Paul dedica à atual esposa a próxima canção, My Valentine, que é para mim a mais fraca do set, mas ainda assim cria um clima ótimo ao vivo. Nineteen Hundred and Eighty-Five, mais uma maravilha dos tempos de Wings é outra sacada genial, desta vez apresentando o clássico disco Band on the Run. Depois, The Long and Winding Road vem para matar qualquer fã dos Beatles do coração. A épica balada presente no derradeiro e definitivo Let it Be emociona qualquer pedra, algo que mais, pelo menos, 10 músicas ao decorrer da apresentação são capazes de fazer. Na mesma toada, vem a espetacular Maybe I'm Amazed, outra pérola dos Wings muito bem incorporada ao repertório. A coisa só esquenta, e  clássico I've Just Seen a Face, presente em Help!, para mim o melhor disco dos beatles, vem para provar o poder de fogo do sir. E o que dizer de We Can Work in Out? Poucos são capazes de tocar tantas músicas espetaculares em sequência. Voltando ao Wings, outra pérola muito conhecida e celebrada, Another Day. Quem ainda estava vivo pode ver uma sequência voz/violão com três das músicas mais maravilhosas de todos os tempos. And i Love Her, destaque de A Hard Days Night, Blackbird, impossível descrever a emoção que sua simplicidade única transmite, e Here Today, uma belíssima homenagem de Paul a Lennon fizeram quem viu se lembrar deste momento para o resto de suas vidas. No meio de tanta perfeição, as ótimas novas New  e Queenie Eye foram algo como um descanso para os corações, mas também momentos muito agradáveis para quem viu. Hora de voltar para os Beatles, com a ótima Lady Madonna e a bizarra, digamos assim, All Together Now, que animou bastante, mesmo sendo a música mais fraca dos Beatles. Lovely Rita foi uma escolha acertadíssima, nos transportando para o único St Pepper Lonely Heart Club Band. Everybody Out There, outra ótima nova serviu de ponte para mais um momento daqueles. A magnífica Eleanor Rigby chega como uma pedrada nos nossos corações, e é arrematada com Being for the Benefit of Mr. Kite!, ainda mais fantástica ao vivo com os efeitos de luzes se encaixando com perfeição ao tom psicodélico dela. Depois é hora de lembrar do grande George Harrison, com a maravilhosa e matadora Something cantada em uníssono. Ob-La-Di, Ob-La-Da também anima, sendo muito bem recebida e causando ainda mais emoção. Back in the U.S.S.R. é tocada com a banda visivelmente feliz e se divertindo, sendo também muito agradável. Para arrematar a primeira parte do show, os hinos Let It Be, Live And Let Die, explosiva como de costume e deixa para um show de presença de palco por parte de Paul no seu termino,  e Hey Jude, acompanhada até no intervalo pelo famoso nananana, dispensam maiores apresentações. Ninguem ficaria triste se acabasse ali, mas ainda tinha mais. Day Tripper, Hi,Hi,Hi, a surpresa do set, e I Saw Her Standing There, abertura do 1o disco dos Beatles, continuam com a apresentação. Mais um intervalo, e a banda retorna para tocar a música mais tocada de todos os tempos e me arrematar de vez. Yesterday é uma das coisas mais lindas do mundo, arrancando minhas lágrimas de extrema felicidade. A porrada Helter Skelter vem depois, famosa resposta dos Beatles aos que não consideravam a banda pesada o suficiente. Para fechar o show com chave de diamante, nada melhor do que o fechamento de Abbey Road, o último disco gravado pelos Beatles, e misteriosamente lançado antes de Let it Be, a trinca Golden Slumbers/ Carry That Weight/ The End.
   O show de Paul McCartney e sua magnífica banda foi um exemplo de como deve ser um espetaculo musical, contendo 39 músicas extraordinárias tocadas por um senhor que da a vida no palco transbordando amor em lá estar. Ao me despedir dele, chorei copiosamente, impressionado com o que representa o senhor Macca para o Rock N'Roll. Enquanto ele estiver vivo, o estilo vai andar bem, e quando ele se despedir, doces lembranças ficarão em nossas mentes. Acaba aqui um dos textos mais emocionados que já fiz aqui, tentando descrever o que só quem já viu sabe como é. Longa vida Sir Paul McCartney, e muito obrigado por tudo!
   

terça-feira, 11 de novembro de 2014

PAUL MCCARTNEY-O QUE ESPERAR DE UM DOS MAIORES ESPETÁCULOS DA TERRA.

   Amigos, nesta terça-feira, dia 11 de novembro, meu coração não está aguentando de ansiedade para assistir ao espetáculo já visto por Capixabas ontem, e que ainda será visto por Paulistas e Brasilienses num futuro próximo. O fato é que DEUS Paul McCartney já está em terras cariocas, para depois do inesquecível show de 2011 no Engenhão e do longínquo show de 1990 no Maracanã nos apresentar um dos maiores shows de Rock que se tem noticia. Um dos dois representantes de uma das mais importantes bandas de todos os tempos ainda vivo sabe como poucos, muito poucos, fazer um grande show. 
   Falar da importância dos Beatles é desnecessário, todos sabem muito bem do que estamos falando. A banda que reúne fãs de todas as idades, sexos, religiões e tudo mais ao redor do mundo é um fenômeno ainda não explicado, mesmo depois de 50 anos. A força que a música cantada ainda com perfeição por Paul McCartney transmite é realmente incrível, e digo isso depois de ter assistido a shows de uma infinidade de bandas. Quem pretende ir ao HSBC Arena pode desde já arrumar um calmante, por que a próxima noite será de fortes emoções.
   O repertório de 39 músicas, talvez o maior que existe no mundo do Rock, é apresentado por um senhor na plenitude da forma, e sua competentíssima banda que o acompanha há tempos. Fora clássicos infalíveis da banda que o consagrou, sua rica e gloriosa carreira solo nos proporciona sempre um setlist completo e perfeito nos mínimos detalhes. Dos Beatles, se prepare para um começo de matar do coração, com Eight Days a Week, ou, quem sabe, Magical Mystery Tour, formando uma das poucas dúvidas. Pérolas sacadas com sabedoria na esplendorosa discografia, como Lovely Rita, Birthiday, We Can Work It Out  e Being for the Benefit of Mr. Kite! se juntam a clássicos do porte de Yesterday, Blackbird, All My Loving e The Long and Winding Road, entre outros. Dai já podemos sentir a pressão, mas seus clássicos solos não deixam por menos, e maravilhas do porte de Band on the Run, Listen to What the Man Said, Maybe I'm Amazed e Nineteen Hundred and Eighty-Five vão te emocionar, seguramente. 
   Fora todo o poderoso setlist, o carisma do Beatle e a produção impecável completam o que podemos chamar de definição de show. A escolha de um lugar pequeno para o tamanho do artista surpreendeu, mas para quem se dispôs a pagar os "proporcionais" e salgadíssimos ingressos poderá ver o ídolo de uma proximidade inimaginável. Se ainda está na dúvida, não pense 2x e compre o ingresso, já que gênios como ele infelizmente não vivem para sempre, cabendo a nós aproveita-los enquanto conseguem tocar e distribuir magia por onde passam.
   Termina aqui o meu depoimento totalmente pessoal para dividir emoções com vocês, já que Beatles é uma das minhas bandas do coração, e para ficar em apenas dois bons exemplos, sua música mudou a vida de Ozzy Osbourne e Lemmy. Obrigado, e bom show para nós!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

SHOW DO BEHEMOTH-CIRCO VOADOR-RIO DE JANEIRO

   Não seria exageiro falar que o Behemoth é uma das maiores bandas da atualidade, levando em consideração o nível elevadíssimo de qualidade dos seus últimos lançamentos. O novo trabalho, The Satanist, é uma obra-prima, e na minha opinião disputa com Evangelion e Satanica o título de melhor disco da história da banda. Por tudo isso, a expectativa para o primeiro show do Behemoth no Rio de Janeiro era enorme. 
   Cheguei pouco antes do início do show do Gangrena Gasosa, banda responsável pela ótima abertura, assim como o Tellus Terror, que infelizmente não consegui ver em ação. A 1a e única banda de Saravá Metal do planeta é bem conhecida do Underground carioca, e muitos cantaram junto e participaram ativamente do show. A produção estava impecável e hilaria como de costume, e a banda deu o seu recado com as ótimas Se Deus É 10, Satanás é 666, Quem Gosta de Iron Maiden Também Gosta de KLB, Eu Não Entendi Matrix, A Supervia Deseja A Todos Uma Boa Viagem e Centro do Pica-Pau Amarelo, entre outras. Abertura de respeito para um grande show que estava por vir.
   O bom público que comparecia ao Circo Voador, prova de que a cena carioca tem força e os shows sempre rendem bem, esperava ansiosamente por um show há tempos aguardado. Em 2014, uma quantidade para lá de considerável de bandas que nem sonhavam em pisar no solo carioca fizeram apresentações memoráveis para um público seco por nomes de peso, que eram quase uma exclusividade paulista.
   Depois de uns 20 minutos de espera em relação ao horário marcado, Orion, Inferno, Seth (guitarrista que também participa da turnê, ao lado do "trio") e, obviamente, Nergal, sobem ao palco. Uma produção magnífica de palco, com o líder endemoniado com fogo nas mãos e nos "oios" davam o tom do que seria a noite. De cara, vem a maravilhosa faixa de abertura do último trabalho, Blow Your Trumpets Gabriel. Nergal se movimenta bastante no palco, mas apresenta uma certa fragilidade física, algo absolutamente compreensível por tudo o que ele passou entre Evangelion e The Satanist. Em vários momentos ele não canta, deixando para Orion e Seth a tarefa, e quando canta, apresenta uma certa dificuldade. Mesmo assim, a voz em si esta presente, e muito forte, e sua presença de palco compensa qualquer problema de saúde, algo imperceptível para seus devotos. A sequência veio com outro momento grandioso de The Satanist, Ora Pro Nobis Lucifer. O público sabia cantar cada sílaba de ambas, mostrando toda a força do trabalho que predominou na apresentação. A viagem pela história do Behemoth nos levaria agora para o clássico Demigod, com Conquer All colocando fogo na lona, abrindo uma enorme roda na pista. O clássico Decade of Therion vem em seguida, outra para lá de bem aceita por um público com carinho especial pelo maravilhoso álbum Satanica. Depois é a vez da melhor do bom disco Zos Kia Cultus Here And Beyond, a também clássica As Above So Below.  Slaves Shall Serve faz outra referência ao icônico Demigod, sendo também muito bem recebida por todos. Nergal então se dirige a plateia, algo que ele fez pouquíssimas vezes durante a apresentação, com uma bíblia nas mãos e um discurso anti-religioso forte. Ele então rasga a famosa publicação, jogando-a para a plateia, que tratou de terminar o serviço. Alguns chegaram a incendiar páginas do "livro sagrado", e o momento foi empolgante. Pelo jeito, Nergal não ligou nem um pouco para os problemas judiciais que o ato causou num passado recente, e tão pouco se apegou a religião para superar seus problemas, que segundo ele, foram vencidos numa magnífica mistura de força de vontade própria aliada a competência dos médicos e, obviamente, auxílio precioso do doador. O líder do Behemoth então anuncia Christians to the Lions, uma porrada linda que caiu muito bem no setlist. A música-título do disco mais recente vem depois, sendo seguida com precisão pelo hino Ov Fire and the Void, cantado em uníssono.  Furor Divinus, mais uma nova, veio em seguida, e depois a versão para Ludzie Wschodu, da banda Siekiera. De volta ao magnífico Evangelion, é a vez de um dos seus melhores momentos, Alas, Lord Is Upon Me. At the Left Hand ov God finalmente faz referência ao clássico The Apostosy, uma das obras-primas da discografia do Behemoth, seguida pelo hino Chant for Eschaton 2000. O encerramento vem com a música que é para mim o destaque de The Satanista, a maravilhosa O Father O Satan O Sun!, o perfeito encerramento para um show devastador.
   Nergal é um showman nato, um verdadeiro frontman. Ele se apegou totalmente ao papel, já que a saúde infelizmente debilitada limita bastante a sua atuação como vocalista. Muito por causa disso, o setlist padrão com 15 músicas tocadas em pouco mais de uma hora seja levado a diante em toda a turnê. No estúdio, nada deteve Nergal, e a competência sua e da banda ao vivo superam todos os problemas, fazendo um dos shows mais espetaculares  que já tive a chance de ver. O saldo foi totalmente positivo, e a noite inesquecível. Vida longa ao Nergal, e muitos anos de Behemoth pela frente!
Para ficar na memória