segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

SHOW DO VICIOUS RUMOURS/ FORKILL/ DESTRUCTION-TEATRO ODISSEIA-RIO DE JANEIRO

   A noite de quarta-feira, dia 10 de dezembro, foi de gala para o Heavy Metal carioca. Com o ano já chegando ao seu final, o Destruction abastece os cariocas com o melhor do Thrash Metal, finalmente em um "show solo". O Teatro Oisseia recebeu o maior público que já vi, semelhante ao que foi ver Marky Ramone em maio, um fato que emociona. O Destruction dispensa maiores apresentações. Uma verdadeira entidade do magnífico Thrash Metal alemão, dona de uma quantidade para lá de considerável de fãs brasileiros, que conseguiram superar os ótimos públicos que Sodom e Obituary levaram a mesma casa recentemente. 
   Acabei perdendo o show que o Vicious Rumours fez abrindo os trabalhos, o que acabou sendo um ajuste para que a cidade não perdesse o show, já que a banda foi escalada de última hora no Zoombie Ritual Festival, repondo as incontáveis ausências que mais uma vez levaram o nosso nome a lama. O próprio Destruction veio para lá se apresentar, mas diante do amadorismo do produtor acabou cancelando, não sem antes o líder Schmier acertar o infeliz com um glorioso e merecido soco. 
   Logo depois veio a já programada abertura do Forkill, que começou o seu show exatamente quando eu entrava no local. Acompanho a banda há tempos, sendo eles bastante conhecidos no Underground carioca com o Thrash Metal de 1a linha praticado. A banda é experiente na cena, já tendo tocado em diversos bares e casas famosas da cidade, e eu mesmo já fui vê-los num show destruidor no Calabouço Rock Bar, tradicional reduto de bandas covers na Tijuca. Divulgando ainda o ótimo  Breathing Hate, seu disco de estreia, eles estão para lançar o 2o trabalho. No show, vimos uma mescla dos dois trabalhos, com boa recepção dos presentes. O vocalista Joe Neto sempre convidava a participação popular, colocando fogo no que já era o maior show da carreira da banda. O resultado foi ótimo, e as turbinas estavam devidamente aquecidas para a atração principal.
   Um Odisseia lotado transbordava em ansiedade nos momentos que antecederam ao grande show da noite. Eu mesmo estava muito emocionado, já que a banda tem uma significativa importância na minha vida, que respira Heavy Metal, assim como os colegas da cena alemã. Como acabei perdendo o show no Rock in Rio por uma série de fatores desagradáveis, finalmente iria tirar o atraso. Foi a banda aparecer, e surgia automaticamente um caótico mosh-pit, que deixou o público que lotava a casa espremido. Total Desaster abre o show. O clássico dispensa maiores apresentaões, e coloca a casa abaixo. Em seguida, sem tempo para respirar, vem o hino Thrash Till Death, cantado em uníssono. A casa parecia pequena para o tamanho que o show tomou, e não dava conta do recado. O som, que geralmente é muito bom, estava ruim, e assim foi por toda a noite. De cara, a guitarra de Mike Sifringer apresentou problema, forçando um solo improvisado do baterista Vaaver enquanto as coisas eram resolvidas. A péssima qualidade sonora acabou sendo o grande defeito do show, mas mesmo assim não era capaz de botar o jog ganho em risco. Além do baterista, Schmier e Mike tem longa estrada neste tal de Heavy Metal, já tendo feito show em tudo quanto era buraco, e não seria estes percalços que arruinariam um show de uma lenda do Thrash Metal. O magnífico set seguiu com Nailed to the Cross, fazendo a clássica sequência do ótimo The Antichrist, grande obra lançada pela banda em 2001. Mad Butcher segue com a carnificina que só bandas como o Destruction podem proporcionar. Armageddonizer apresenta o bom Day of Reckoning. Depois Black Death, Eternal Ban e Life Without Sense matam os presentes do coração, como momentos gloriosos dos indispensáveis Infernal Overkill e Eternal Devastation, as obras-primas da banda. Spiritual Genocide volta ao presente, finalmente trazendo o último lançamento pra jogo. Release from Agony, faixa título do ótimo disco de 88, e a nova Carnivore vem depois. Hate is My Fuel, também de uma fase mais recente da banda, já é muito querida, e proporciona uma pancadaria daquelas no mosh. O líder Schmier lembra então que agora seria algo inédito para nós. A magnífica instrumental Thrash Atack da uma verdadeira aula de Thrash Metal. Depois, ele pergunta o que gostaríamos de ouvir, e entre os milhares de pedidos, ganhou o clássico Antichrist, uma surpresa para lá de agradável. Bestial Invasion completa o ataque cardíaco coletivo. Todos estavam para lá de satisfeitos, mas o Destruction ainda tinha mais cartas nas mangas. Curse the Gods e The Butcher Strikes Back, que marca o retorno triunfal da banda em 2000, encerram uma noite de gloria para os thrashers cariocas.
   Um público digno de uma cidade que entrou definitivamente na rota dos shows marcou a noite. Um som que não estava a altura do espetáculo, mas não comprometeu no final, e o saldo foi positivo. Um setlist maravilhoso proporcionou muio Thrash Metal e diversão para um público que sabe apreciar isso como ninguém. Em breve virá algo novo do Destruction, e seguramente muitos novos shows no Brasil, país que a banda já pode dizer que tem um caso de amor. Que venha um 2015 repleto de grandes shows para todos nós. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

SHOW DO BELPHEGOR-ESPAÇO ACÚSTICA-RIO DE JANEIRO

   O ano está acabando, mas ainda podemos desfrutar mais um pouco de uma temporada gloriosa para o Thrash/Death/Black Metal na cidade do Rio de Janeiro. Inúmeras impensáveis bandas vieram para cá, algo extremamente benéfico para uma cena que é cada vez mais forte. O público, sempre fiel, agora teve a oportunidade de ver o Belphegor em ação. Uma das bandas mais fortes dos últimos anos no metal extremo, lançando o ótimo Conjuring of Death recentemente, não tinha como decepcionar. O show foi no Espaço Acústica, lugar inédito para mim. A casa é pequena e apertada, mas extremamente adequada para  bandas como o Belphegor. Bem menor que o tradicional Teatro Odisseia, o espaço é bem localizado e com um ar condicionado eficiente. O espaço é pequeno, e impossibilita um bom mosh pit (se o show do Municipal Waste tivesse mesmo acontecido, teríamos problemas). Mesmo assim, gostei do lugar, com uma acústica ótima e ambiente agradável, que deveria ser mais explorado em shows menores para casas como o Odisseia e o Rival. 
   Não tivemos lotação máxima, mas eu diria que 70 a 80 % da casa estava cheia. Mesmo assim, pelo tamanho, isso não é muito, e eu diria que o público girou em torno do 100 pessoas. No Odisseia, teríamos espaço de sobra. A (s) abertura (s) foi ótima. Primeiro veio o Demolishment, banda que divulga seu 1o EP Our Fury Is Unleashed, com um Thrash/Death Metal de 1a linha. A banda que da os seus primeiros passos no Heavy Metal, já com um nome razoavelmente conhecido na nossa cena, mostrou muita força, inclusive na versão para Scavenger of Human Sorrow do Death. Boa impressão deixada, assim como o ainda mais conhecido Tellus Terror, já com a abertura para o Behemoth também no currículo. O disco de estreia EZ Life DV8 foi muito bem recebido, e o show foi baseado nele.
   As turbinas já estavam aquecidas para um público pequeno, mas sedento por Black Metal da melhor qualidade. Este público foi brindado com uma apresentação impecável do Belphegor. Foi um passeio pela história da banda. O palco era pequeno, mas muito bem "enfeitado" e dominado pelo líder  Helmuth Lehner. O público participou ativamente do show, fazendo breves mosh pits em momentos mais adequados para tanto, e cantando cada verso ao lado da banda. Clássicos como Bondage Goat Zombie, In Blood - Devour This Sanctity e Impaled Upon the Tongue of Sathan dividiram espaço com as ótimas novas Feast Upon the Dead, Conjuring the Dead e  Gasmask Terror. Os hinos Belphegor - Hell's Ambassador e principalmente Lucifer Incestus fizeram o lugar ir abaixo.
   No final, foi uma baita apresentação de uma banda mais que atual do nosso cenário. Optando por aquele tipo de show com pouca interação e pancadaria do começo ao fim, o Belphegor proporcionou aos fãs uma ótima matinê metálica. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

QUEENS OF THE STONE AGE, O ÚLTIMO DOS MOICANOS?

   Aos poucos, a edição 2015 do Rock in Rio vem tomando forma. Entre atrações pops que não valem a pena serem citadas por aqui, já temos dois nomes certos para um dos dias destinados ao Rock. System of a Down já é de conhecimento geral, e ontem foi anunciado para o mesmo dia a grata surpresa Queens of the Stone Age. 
   A banda liderada por Josh Home é para mim, junto com o próprio System, a última coisa relevante que surgiu no chamado mainstream. A música é de difícil classificação, até porque isso não é tão importante. Fortes influências do Classic Rock setentistas misturadas com um toque preciso de modernidade dão o tom de um, talvez, New Classic Rock, que é exclusividade deles. Nos anos 2000 foram postas em jogo pérolas como os discos Rated R,  Songs For The Deaf, Era Vulgaris e o mais recente Like Clockwork. Quem espera uma metal, como alguns menos abertos a novidades, pode passar longe. Eu mesmo não consigo aceitar muita coisa que existe por ai, mas sempre achei o som deles bem interessante. O casamento com o System of a Down foi uma sacada de mestre, e o tal dia se apresenta muito bem e inovador.
   A música única das "rainhas" ganha muito mais força em apresentações ao vivo, e o dito som "alternativo" vira na verdade algo muito mais potente e devastador. Finalmente terei a oportunidade de vê-los ao vivo, um antigo desejo, já que o último show da banda no Rio de Janeiro foi na edição de 2001 do Rock in Rio. Quem puder ver, irá se surpreender. Preconceitos tolos são inúteis.
   Espero que não, mas honestamente o QOTSA é a última da linha de bandas de arenas interessantes surgidas nos últimos 10, 15 anos. O underground metálico ferve, e eles garantem o futuro, mas os shows de estádio ainda dependem de uma urgente renovação. Neste dia de festival, veremos um pouco disso, mas honestamente espero que não acabe por aqui. Nos empurram muita merda desprezível, mas entre elas sempre tem alguma coisa boa, e definitivamente o Queens of the Stone Age é um sopro de esperança!

domingo, 7 de dezembro de 2014

SHOW DO IRA!-CIRCO VOADOR-RIO DE JANEIRO

   Pouco tempo depois da volta oficial do Ira! ao Rio de Janeiro, a turnê passa novamente pelo Circo Voador. A casa enche novamente, porém um pouco menos do que na apresentação inesquecível de agosto, e era possível circular facilmente pela lona, encontrando um bom lugar para ver o show. Depois de poucos meses, pudemos ver uma banda ainda mais acertada e feliz por estar de volta aos palcos, algo realmente fantástico e benéfico para o nosso tão sofrido Rock Nacional. 
   Depois da sofrível abertura do Ullala (acho que era isso o nome), por volta das 1h o Ira! estava no palco do Circo Voador. O setlist foi bem parecido com o apresentado em agosto, mas a ordem foi completamente diferente. De cara, vem a ótima Como os Ponteiros de Um Relógio, inesperada e magnífica. Depois chega a tradicional abertura Longe de Tudo, clássico do grande Mudança de Comportamento. Em seguida, vem Flerte Fatal, uma pérola dos tempos de Acústico MTV. A coisa esquentou mesmo foi com o hino máximo Dias de Luta, cantado em uníssono. O som estava espetacular, bem melhor do que o visto na última vez. A felicidade de Edgard Scandurra e Nasi, os donos do Ira! atual era genuína. Sorrisos e abraços sinceros eram constantes, além da interação com o público. Tarde Vazia é a próxima, que de música esquecida virou clássico com o Acústico. No Universo dos Seus Olhos, um blues até interessante, mas facilmente substituível, veio mais um clássico, Flores em Você. Gritos na Multidão, seguramente uma das melhores, agita mais ainda. O ótimo setlist segue, repleto de clássicos. Rubro Zorro e a pérola Manhas de Domingo lembram o disco Psicoacústica, lembrado por Nasi. A nova ABCD já ganha corpo, podendo aparecer com força no provável disco novo de 2015. A grande surpresa da noite fica por conta da espetacular e emocionante Vida Passageira, sabiamente incluída no programa é muito celebrada. Foi indescritível ouvi-la sem esperar por tanto. A sequência vem com o maior clássico dos tempos de acústico, e a preferida da "Nova geração". Eu Quero Sempre Mais é cantada como no disco 7, uma versão infinitamente melhor do que a batida presente no acústico com Pitty. O Bom e Velho Rock n' Roll seria totalmente substituível, e abre espaço para a magnífica Arrastão. Mesmo sendo pouco conhecida do grande público, considero essa uma das melhores, e uma sacada do retorno que prioriza o Ira! mais pesado. A versão para Train in Vain do Clash é boa, mas não aprecio este tipo de estratégia, e inconscientemente acabo cantando a original. Prisão das Ruas vem lenta e melancólica, para depois esplodir com o hino Envelheço na Cidade. Núcleo Base encerra a 1a parte de um ótimo show. Para o bis, a banda escolhe muito bem Girassol, a magnífica 15 Anos, a tão boa quanto É Assim que me Querem, e por último, Bebendo Vinho, cantada em uníssono. 
   Meu balanço sobre a 2a apresentação do Ira! no Rio depois do retorno é positivo. O público era menor e menos intenso do que o de agosto. O set cortou bons momentos como Mudança de Comportamento e Tolices, mas incluiu Vida Passageira. A ordem insperada foi interessante, e as escolhas acertadas. O som espetacular e pesadíssimo da guitarra de Edgard, este numa noite única e endiabrada e a vontade da banda em realizar um grande show fizeram deste um show ainda melhor e mais Rock N'Roll do que o anterior. O Ira! é uma entidade da nossa música, sempre merece ser visto. Se o clima continuar como está, é certo que bons anos de Rock venham pela frente. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

SEPULTURA, 30 ANOS DE UMA HISTÓRIA GRANDIOSA

   Entre saídas, chegadas, dias de Chaos, conquista do planeta Heavy Metal e muito mais, a maior e mais relevante banda da história do nosso país chega aos seus 30 anos de uma gloriosa história. Não vou me aprofundar nos detalhes, mas tentarei passar brevemente pelos momentos mais marcantes. 
   Dois irmãos, que viram as suas vidas se modificarem por completo depois da perda prematura do pai, começam uma banda. A vida que era tranquila, com viagens e diversão, como numa família normal, se transforma quase de imediato. Os irmãos Max e Iggor Cavalera se revoltam com a morte, em pouco tempo começam a trabalhar como gente grande e se apaixonam pelo estilo de música que os consagraria anos depois. O show do Queen no estádio do Morumbi em 1981 acabou sendo fundamental na formação musical de ambos. Já no dia seguinte, Iggor e Max vão a procura de discos do Kiss e do Queen. Aos poucos, Black Sabbath, Venom, Possessed, Destruction, Hellhammer e Dorsal Atlântica direcionam o amor musical para o mais puro e brutal Heavy Metal. Max inclusive cita um show que assistiu do Dorsal Atlântica como fundamental no que viria a ser o Sepultura. "Quando o Carlos subiu no palco falando 'nós somos o Dorsal, foda-se quem não gostou e deus é o caralho', eu senti que era possível fazer este tipo de som (Thrash/Death Metal) no Brasil".
   No começo do Sepultura, era tudo muito amador. Os equipamentos, letras, instrumentos, maneira de tocar e tudo mais. Max já disse inclusive que foi uma grande novidade quando falaram para ele da necessidade de se afinar as cordas da sua guitarra. Na sua 1a formação, o Sepultura era formado por Max (guitarra), Paulo Jr, Vagner Lamounier (vocal) e Iggor. Vagner deixou a banda sob acusação de roubo de equipamentos e outros inúmeros problemas, para logo depois formar o Sarcófago e dar inicio a maior rivalidade de todos os tempos no Heavy Metal mundial. O fato é que são duas grandes bandas, que fizeram a fazem história em todo planeta, sendo influência para toda uma futura geração.
   A nova formação agora contava com Max cantando, além de fazer guitarra base e Jairo Guedez na guitarra solo. Num cenário mineiro já muito forte, com o Overdose sendo a principal banda, o nome do Sepultura crescia. A sonoridade do Overdose é mais voltada para o metal tradicional de Accept, Saxon, Judas Priest e Iron Maiden, e o Sepultura fazia um som mais Death Metal. A cogumelo Records, que contratara recentemente o Sepultura, promove então o clássico split Bestial Devastation, com 5 músicas do Sepultura e 3 do Overdose.
  Já em 1986, o 1o e cru álbum do Sepultura é lançado, o espetacular Morbid Visions. Uma produção suja com letras traduzidas para o inglês de forma amadora curiosamente parece fazer parte do pacote, este sendo uma verdadeira voadora no peito da cena mineira. Naqueles dias, bandas fundamentais como Chakal, Holocausto e Mutilator também davam seus primeiros passos, fazendo da cena mineira a mais importante do país. Entre elas, o Sepultura já se destacava. Troops of Doom reinava absoluta naquela estreia devastadora. O riff espetacular já apresentava o enorme potencial. Pérolas como War, Crucifixion e Funeral Rites completam o trabalho.
   Em seguida, ocorre mais uma baixa, o guitarrista Jairo Guedez. Pelo que falam, Jairo estava cansado de fazer o tipo de som que o Sepultura fazia, decidindo se aventurar no Hard Rock. Ele continua amigo de todos até hoje, tendo papel fundamental na história do Sepultura. Chega então Andreas Kisser, já de cara aterrorizando seus companheiros com seus equipamentos e técnica diferenciados. O som ganhava corpo, já indo mais em direção ao Thrash Metal, com influências do estilo tradicional e melódicas, mas sem perder a essência. Schizophrenia é lançado em 1987, levando o Sepultura a outro patamar. O disco já chegava a diferentes partes do mundo, assim como as turnês da banda. O trabalho foi o último lançado pela Cogumelo, já que ele despertou o interesse da gigante Roadrunner.
   Chega então o passo definitivo. Beneath the Remains contou com a produção de  Scott Burns, já famoso pelo trabalho com monstros do Death Metal americano, que veio ao Rio de Janeiro especialmente para fazer com a banda o trabalho. Remasterizado na Florida, o disco já colocou a banda em contato com o mercado internacional. Nessa altura, Max, Paulo, Andreas e Iggor já conheceram alguns de seus maiores ídolos, fizeram turnês memoráveis pela Europa e EUA, além de ganhar o Brasil inteiro. Clássicos como Inner Self, Stronger Than Hate e Mass Hypnosis já estavam eternizados.
   Os olhos do mundo do Heavy Metal já se voltava para eles, que além de tudo vieram de uma "terra desconhecida". Arise já chegava com a banda fazendo uma apresentação memorável no segundo Rock in Rio. Se na 1a edição, Max sofria para assistir Ozzy Osbourne em casa, agora ele seria uma das maiores atrações da nova edição. Arise trazia um Thrash Metal ainda mais trabalhado e matador do que o apresentado no disco anterior. O nome do Sepultura só crescia, assim como os investimentos na banda. O clipe de Arise é até hoje um marco, e mais clássicos não saiam das vitrolas da legião de fãs, que só fazia aumentar.
   A coisa ficaria ainda mais séria agora. Chaos A.D viria a ser o álbum definitivo. Impossível descrever a sua força. Gravado na Inglaterra, num isolado castelo, aonde o Queen fez A Night at the Opera nascer, o tamanho alcançado pelo Sepultura já era assustador. O trabalho vendeu como água, e muitos já diziam que a banda tinha tudo para ser o novo Metallica. Influências brasileiras claras fariam a diferença no novo trabalho, que ia muito além do simples Tharsh Metal. As letras politizadas também chamavam atenção, assim como a instrumental Kaiowas, feita em homenagem a tribo indígena que cometeu suicídio coletivo em forma de protesto a ordem do governo de entrega das suas terras.
   No disco seguinte, as influências brasileiras foram levadas a outro nível. Assim nascia Roots. As nossas raízes sangrentas foram vividas intensamente pela banda. Em 10 anos, o Sepultura alcançava o topo do mundo do Heavy Metal. Attitude, Roots Bloody Roots e Ratamahatta já eram verdadeiros hinos, assim como Refuse/Resist, Territory e Slave New World do disco anterior. Infelizmente, vários conflitos internos fizeram as coisas mudarem, e tomarem um caminho sem volta.
   Max Cavalera surpreende a todos, e anuncia a sua saída do sepultura, algo que ninguém imaginaria que um dia fosse acontecer. Foi um choque para todos. Muitos poderiam jurar que a maior banda do Brasil e uma das maiores do mundo teria o seu fim decretado. Felizmente, não foi bem assim. Derrick Green assume os vocais, mas a banda nunca mais teria o mesmo sucesso, ou força, daqueles dias de caos.
   Derrick assumiu, mas muitos não aceitavam o Sepultura sem seu líder. A própria banda tinha dúvidas sobre o futuro com o nome. Depois de escrever novas músicas, veio a certeza de que a história do Sepultura não tinha acabado. Sem a empresaria Gloria, que era acusada de privilegiar o marido em detrimento dos outros membros, agora o Sepultura era cada vez mais uma banda de 4 pessoas. O baixo ganharia mais destaque na sonoridade. Max cita em sua biografia que muitas vezes Paulo não gravava sua parte no estúdio, apenas ao vivo, com muito custo, mas se é isso mesmo ou não, nunca saberemos.
   Against não tem a mesma força dos discos anteriores, apesar de ser um bom disco. Muitos simplesmente não aceitavam que o Sepultura não tinha mais Max, e torceram o nariz. Alguns gostam, mas o sucesso dos anteriores não foi repetido.
   Na minha opinião, tem mudanças que só são aceitas em caso de novos clássicos com os novos vocalistas, e penso nisso com base no que aconteceu em casos conhecidos. Se o Black Sabbath não soltasse de cara o Heaven And Hell, e o Angra o Rebirth, nunca mais seguiriam o caminho construído por Ozzy e André, tendo que começar do zero. No caso do sepultura aconteceu exatamente isso, e até hoje tem muita gente que decreta que a banda acabou em 96. Felizmente, muitos não ligam para isso, e continuam apoiando a banda e comprando seus discos. O que sabemos é que o baque foi forte, e a banda nunca mais voltou ao ponto em que parou.
   Veio então o ótimo Nation, que tem grandes momentos, o "esquecido" Roorback e o também bom Dante XXI, dando a cara do Sepultura no novo milênio. Uma nova grande mudança estava por vir. A saída de Iggor era uma questão de tempo, já que estamos falando de irmãos, e a reconciliação aconteceria cedo ou tarde. O momento foi considerado péssimo, já que a banda estava prestes a viajara para a Europa divulgando o novo trabalho. Foi tudo cancelado, e  Jean Dolabella assumiria o posto de baterista do Sepultura. Jean grava A-Lex, e posteriormente o magnífico Kairos.
   Em Kairos, o Sepultura apresenta o seu melhor trabalho desde que os Cavaleras deixaram a banda. Os fãs receberam de braços abertos, e porradas como Spectrum, Relentless e Born Strong serviram para calar a boca dos críticos. Quando não se esperava mais nenhuma mudança, Jean deixa a banda depois de dois discos. Para o seu lugar, chega o fantástico Eloy Casagrande, o melhor baterista do Brasil atualmente.
   Hoje o Sepultura está em grande fase. The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart é um baita disco, violento como poucos na carreira da banda, e a formação está absurda. Pude assistir a banda recentemente, e a apresentação foi absolutamente matadora. Eloy, Andreas, Paulo e Derrick parecem que nasceram para tocar juntos, e os próximos 30 anos de história começam a ser escritos com a certeza de que a banda está mais forte do que nunca.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

SHOW DOS RAIMUNDOS E TITÃS-CITIBANK HALL-RIO DE JANEIRO

   As duas maiores bandas de Rock do Brasil, depois de terem lançado em 2014 os melhores trabalhos em anos, se juntaram para uma apresentação no Citibank Hall, a melhor e maior casa de shows da cidade (HSBC Arena é arena multiuso). Tinha tudo para ser uma noite espetacular. De fato, foi muito boa, mas a falta de trabalho de divulgação e comparecimento do público prejudicaram, assim como os setlists, que poderiam ser melhores. Mesmo assim, o saldo foi positivo, já que Raimundos e Titãs não brincam em serviço.
   Quando entrei na casa, na  época de ATL/Claro hall bem mais dedicada ao Rock, o público era assustadoramente baixo. Atualmente, raríssimos shows acontecem na casa, infelizmente. Na hora, a coisa melhorou, e cerca de 2 mil pessoas (no olhometro) deram as  caras. Muito pouco para um lugar que cabe 8 mil, e para bandas que sempre esgotam sozinhas shows no Circo Voador. Os Titãs, por exemplo, lotaram a Fundição Progresso (5 mil pessoas) em 2012. Público teria, mas um evento mal trabalhado em termos de divulgação acaba naufragando, por melhor/maior que seja a banda. Fiquei na pista premium, coisa rara, mas os 50 reais cobrados eram convidativos.
   Boa parte dos presentes estava lá pelos Raimundos, e camisas de bandas como Suicidal Tendencies, D.R.I e Metallica, além de incontáveis da banda de Digão, indicavam o perfil deles. A banda abriu a apresentação com a nova Gato da Rosinha, e com ela aquele mosh matador sempre presente. Mulher de Fases, a música mais conhecida, vem depois, como sempre cantada em uníssono. Indo diretamente para o primeiro disco, a clássica Nega Jurema aparece para o delírio dos fãs dos primórdios dos Raimundos. Já incorporada ao set há tempos, é sempre um grande momento.  Descendo na Banguela mostra a força de Cantigas de Roda, já na boca do povo, assim como o hit Baculejo. O Pão da Minha Prima é outro baita momento. Palhas do Coqueiro sempre se destaca. A noite reservou ainda BOP, Nó Suíno, Gordelícia e Importada do Interior do trabalho mais recente, além das sempre dispensáveis e infelizmente presentes A Mais Pedida, Me Lambe e Reggae do Maneiro. Tora-Tora teve uma participação ridícula de grande parte do público, que assistiu ao clássico parado. Talvez por isso, Digão falou que no seu tempo, escutavam o disco completo, e exaltou a sequência do Lavô tá Novo como o hino Eu Quero é Ver o Oco. Faltaram incontáveis clássicos, mas a presença de Mato Veio, Deixa eu Falar, 20 e Poucos Anos (com direito a brincadeiras de Digão sobre Fabio Jr) e Pintando no Kombão fizeram valer a noite, assim como o sempre clássico encerramento com Puteiro em João Pessoa. O show da banda está caindo numa repetição que poderia ser evitada, já que clássico não falta. A formação com Digão, Canisso, Caio e Marquin está consolidada, e mesmo com setlists previsíveis, o show sempre é forte. O retorno a casa aonde foram escritos capítulos gloriosos da banda, como a histórica apresentação na turnê do Só no Forévis (no youtube tem o vídeo completo), foi de certa forma emocionante para quem acompanha o Raimundos de perto. Ver a banda retornar a palcos como este depois de mais de 10 anos mostra que ela está no caminho certo.
   O público era diferente do que sempre comparece ao Circo Voador para shows isolados das duas bandas, inexplicavelmente. Muitos foram vencidos pelo cansaço, e o show dos Titãs que começou lotado foi se esvaziando. Nos Raimundos, um show nota 7, com sensação que poderia ser ainda melhor, mas que agradou em cheio aos presentes. Em ambas as apresentações, músicas que normalmente são muito celebradas foram recebidas com certa apatia.
   Era então a vez dos Titãs mostrarem sua força. Digão citou a importância da banda na história dos Raimundos, tendo os fãs de sua banda criando um mosh insâno em certos momentos da apresentação dos oitentistas. Também lançando uma obra-prima, várias novidades aparecem na apresentação, iniciada com base no trabalho. Fardado, Eu Me Sinto Bem, Cadáver Sobre Cadáver e Chegada ao Brasil (Terra à Vista) deram o pontapé inicial do show, mostrando que quando o lançamento é bom, merece ser mostrado. Policia é o 1o clássico, abrindo uma roda do tamanho da que foi comandada durante dodo o show dos Raimundos. A força única deste marco do Rock brasileiro é capaz de fazer isso. Em seguida, clássicos como Lugar Nenhum e Aluga-se, ótimo cover de Raul Seixas, deixaram um clima maravilhoso de Rock N'Roll no ar, com fãs das duas bandas celebrando o estilo. Alguns comandaram o mosh-pit durante toda a apresentação. O show mesclou músicas novas, como a magnífica Mensageiro da Desgraça, Flores Para Ela e Fala, Renata, com clássicos incontestáveis do porte de Pulsos, Cabeça Dinossauro, Flores, Bichos Escrotos, Igreja, Comida, Desordem, Vossas Excelências, AA,UU e Homem Primata. Com a inclusão de algumas baladinha desnecessária como Go Back e Epitáfio, somado o desinteresse de parte do público da própria banda, deixaram as coisas um pouco cansativas no final. O show foi legal, mas um set como o do Circo Voador e um público mais forte durante todo o show melhorariam as coisas. O encerramento com Pra Dizer Adeus foi dispensável, e acabei deixando a casa já muito cansado do bate-cabeça.
   O saldo foi positivo no final das contas. Duas ótimas apresentações, que poderiam ser ainda melhores, para um público abaixo das expectativas e cheio de altos e baixos. Um casamento de tamanha força poderia ser melhor, mas foi interessante. Acabou sendo uma boa noite de Rock N'Roll brasileiro, mas a coroação de um grande ano para essas duas lendas poderia ser mais grandiosa, se melhor trabalhada. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

SHOW DO METAL "SCRAPS" STARS-ESPAÇO DAS AMÉRICAS-SÃO PAULO

   A ideia de juntar uma seleção forte de nomes do Heavy Metal mundial parecia ótima. Infelizmente, apenas parecia, porque na prática, o resultado foi desastroso. Em seguida, farei um relato pessoal de quem viajou para São Paulo no intuito de assistir ao "Dream Team" do Heavy Metal mundial e acabou vendo um bailão mal ensaiado das sobras dos convidados.
   O evento anunciou um line up de peso, e a cada Cronos, Belladona, Max, Chuck Billy e Labrie anunciados, minha empolgação ia nas alturas, e tal time me motivou a comprar o ingresso. Já com passagens e ingressos comprados, minha expectativa aumentava, mas ao mesmo tempo cabia uma reflexão sobre como seria o evento. Tudo era uma grande surpresa, desde o setlist até a performance dos músicos, e foi ai que parei para pensar no obvio. A ideia é boa, mas na prática é muito complicado juntar 14 músicos que não tocam juntos, com outras bandas em atividade e pouco tempo para ensaiar, o que é o segredo para uma boa apresentação. Não adianta amigos, pode ter certeza que para cada show matador do Iron Maiden ou do Slayer, foram gastas horas dentro de uma sala com os músicos repetindo cada nota, resultando numa performance impecável. Mesmo sem saber o que seria do show, e até com dúvidas em relação a minha escolha, o coração falava mais alto que a rezão, e estar de frente com alguns dos meus maiores ídolos me fez pegar o avião com um enorme sorriso no rosto. Já chegando em São Paulo, começa na prática a deprimente apresentação.
   Amigos me enviando mensagens, e posts recentes na página do evento, traziam as más novas. Cronos não iria participar do show na Bolivia, que aconteceu no dia da minha chegada, e também do show no Brasil, e Belladona, Chuck Billy e Guns G estavam fora da Bolivia, mas ainda não oficialmente do Brasil. Os três vocalistas eram a minha maior motivação para o show, levando em consideração o fato de nunca ter visto o Testament e o Venom ao vivo. Foi um balde de água fria. A falta de profissionalismo de TODOS os envolvidos em segurar para a última hora uma noticia que seguramente já era sabida há tempos foi revoltante. Cronos disse, entre outras  coisas, que não poderia dizer que cancelou, já que nem sabia do evento e  nunca esteve confirmado. A produtora brasileira se pronunciou, falando em problemas entre a empresa que vende o evento e os artistas, sendo ela a principal responsável pelo pagamento e outras burocracias diretas que implicam na vinda das bandas. Já no sábado, Guns G, Joey Belladonna e Chuck Billy estavam definitivamente desligados do show. Já que estava lá, me restou curtir o dia com os amigos cariocas e paulistas e fazer as compras de sempre na Galeria do Rock, além de assistir aos shows das bandas de abertura e o que sobrou do Dream Team.
   Obviamente, o que já não estava muito ensaiado ficaria pior com as baixas e improvisações impostas, e eu não esperava nada de espetacular de um evento tão mal organizado. Chegando ao Espaço das Américas, percebi que a movimentação não era lá muito grande. Apesar do marketing do evento, ele sim feito com perfeição, tentar tapar o sol com a peneira falando em "últimos ingressos a venda", todos sabiam que as vendas já não eram muito significativas para uma casa com capacidade para 8 mil pessoas, e os cancelamentos causaram a desistência de muitos que já compraram suas entradas. Na prática, o público presente caberia perfeitamente no Carioca Club, e inúmeros espaços vazios se acumulavam ao redor da pista. No famoso "olhometro", calcularia umas 1500 pessoas presentes, muito pouco para uma casa do porte do Espaço das Américas. Chega então a hora dos shows.
   Cheguei durante a apresentação do Capadocia, que faz um som interessante, numa linha Death/Thrash Metal. Consegui vê-los fazendo uma ótima versão para Spirit in Black, do Slayer. Em seguida veio o Project46. Gosto da banda, com um som mais voltado para o MetalCore, mas ainda interessante. Mesmo assim, por vezes o vocalista Caio cai num discurso de adolescente revoltado, cheio de "merda, vamos tacar o foda-se" e outras inutilidades repetidas para se parecer algo "mal", ou "Pesado", sem a menor necessidade. A banda tem peso o suficiente para se impor com o som. Por falar em peso, o mesmo Caio exagera nos berros sem nexo ao vivo, ao menos nesse show, fazendo com que as ótimas letras da banda fiquem indecifráveis. Uma pena, já que o Project é a banda mais forte da nossa cena atual, contando com o apoio de nomes de peso e mexendo com a cabeça de muitos. Mesmo assim, o show foi interessante.
   Chega então a hora do verdadeiro show da noite, o do Korzus. Falar da banda é chover no molhado, todos sabem da maravilhosa história de 30 anos dos paulistas, um dos nomes mais representativos da história do Heavy Metal brasileiro. Quem já viu algum show deles, sabe que é matador, e esta seria a minha 1a oportunidade. Lançando o ótimo Legion, Pompeu comandou um passeio certeiro pela história do Korzus. Sem Dick Siebert, que chegou a subir no palco para falar com o público machucado, Marcello Soldado se apresentou no baixo. O mosh comeu solto durante toda a apresentação, e momentos como a recente Dicipline of Hate e o hino máximo Correria lavaram a alma dos fãs, secos pelo legítimo Heavy Metal. Ainda teve muito mais, como What Are You Looking For, Respect, Never Die e a nova Self Hate. Um show irretocável de uma banda grandiosa, para fazer valer o dinheiro investido.
   Agora era hora das "estrelas". O começo foi com Kobra Page cantando, e fazendo papel razoável, em músicas que não se encaixam na sua voz. Em homenagem ao guitarrista Ross the Boss, do Manowar, foram apresentadas Kings of Metal e Hail and Kill. Momento de extremo tédio para mim, já que nunca fui fã da banda. David Ellefson fazia o possível no baixo, mas o guitarrista "principal" errava tudo, claramente por falta de ensaio. Para o lugar de Guns G, Baffo, guitarrista e vocalista do Capadocia foi chamado, e como não teve tempo algum de ensaio, não se encontrou com o resto da banda. Vinnie Appice fica despercebido na bateria, e uma das lendas do instrumento faz o seu papel. Mesmo assim, era tudo uma bagunça. Fear of The Dark é cantada por todos, mas erros clamorosos de Ross prejudicam em muito a versão. A banda de Ellefson é lembrada, com a versão de Symphony of Destruction. Chega a vez de Geoff Tate cantar, mas até ele errou parte da letra do hino Neon Knights. Jet City Woman, clássico do Queensryche, chegou depois. Apesar do erro, o vocalista fez um ótimo papel. Agora Kiko Loureiro entrou para tentar colocar ordem na casa, e honestamente fez um trabalho ótimo. Tava complicado tocar ao lado do Boss, mas Kiko mostrou o grande guitarrista que sempre foi. James Labrie veio cantar I Got You, do seu disco solo, e a magnífica Pull Me Under, clássico do Dream Theater, mas sem Petrucci e cia não estava dando. A banda fez o possível, mas os companheiros do vocalista fizeram falta. Depois veio o único momento grandioso da apresentação, um Max Cavalera endiabrado. Visivelmente irritado com tudo que vem acontecendo, Max reclama dos problemas com sua guitarra e comanda com fogo nos olhos um público que foi a loucura ao vê-lo ali. Roooooooots Bloody Roooooooooots é cantada por todos, abrindo um mosh absolutamente matador. Depois veio Eye for an Eye, do Soulfly, menos forte, mas também bem recebida. Infelizmente, o set mais poderoso da noite teria fim, mas de maneira espetacular. Max apresenta a banda, com carinho especial por Ellefson. O vocalista pede ao baixista para mandar o clássico riff de Peace Sells, seu maior legado, uma sacada brilhante, e em seguida fala do Motorhead. Quando todos esperavam pela tradicional Orgasmatron, veio a surpreendente Ace of Spades.
   Depois de Max, se deu inicio ao interminável intervalo, já às 2h30 da madrugada. O cansaço já era maior que tudo, e a revolta com a fraca apresentação me fez sair antes mesmo do show de Zakk Wylde, que de acordo com relatos foi uma homenagem ao bom e velho Sabbath. O evento foi um fracasso de público, e principalmente, de música. Nada combinava com nada, ausências de última hora substituídas as pressas e erros amadores deram o tom geral, que junto com o horário absurdo, deixaram a noite com um gosto um tanto quanto amargo para o chamado "show do ano". Em sintesi, o público assistiu a um bailão mal ensaiado, digno das piores bandas covers de botecos baratos. Se teve algo para salvar a noite, foi o bom e velho metal nacional, representado nas figuras de Felipe Andreoli e Kiko Loureiro, Max Cavalera e Korzus.