sexta-feira, 31 de março de 2017

DEF LEPPARD - ADRENALIZE

    Poucas bandas enfrentaram tantos problemas em seu auge como o Def Leppard. Depois de ver seu baterista Rick Allen perder um braço e ainda assim dar seu jeito de continuar tocando, a resposta veio com o magnífico Hysteria. Qualquer um que conheça minimamente a história da banda sabe do enorme impacto causado por esse disco. Com tudo mais ou menos no lugar, veio a trágica e precoce morte do magistral guitarrista, e também principal compositor,  Steve Clark. Isso ocorreu justamente no processo de composição de Adrenalize, adiando bastante seu lançamento - que acabou acontecendo no dia 31 de março de 1992. Várias de suas músicas ainda contam com o toque de gênio do senhor Clark como compositor, mas na gravação do disco coube a Phil Collen se esfolar sozinho na guitarra - papel feito com brilhantismo. Obviamente isso não duraria muito tempo, e Vivian Campbell foi recrutado pro posto já na turnê de divulgação.  
     Com todo esse contexto brevemente relatado, uma coisa é inegável. Adrenalize apresenta o último grande momento do Def Leppard em estúdio. Já numa época de domínio do Grunge em detrimento do Hard Rock praticado pela banda, o ótimo lançamento conseguiu grande repercussão. Pode não ter a quantidade absurda de clássicos dos antecessores, mas apresenta grandes músicas. Let's Get Rocked é o clássico definitivo eternizado no trabalho. Um refrão mais que marcante viu cada verso seu ser transformado numa espécie de grito de ordem para os fãs da banda. Heaven Is é uma daquelas que tem o toque de Clark mais que evidente. Um hardão daqueles irresistíveis que a banda sabe fazer como poucos. Make Love Like a Man, a balada Tonight, I Wanna Touch U e a sensacional Stand Up (Kick Love into Motion) são alguns dos bons momentos de Adrenalize, um legítimo disco do Def Leppard. 
      O tempo fez desse disco o último momento glorioso da história dos ingleses mais americanos de todos os tempos. O sucessor Slang foi constrangedor, e apesar de ter seu valor, Euphoria não consegue fazer sombra aos clássicos oitentistas. O resto é história, mas o certo é que o baque da morte de Clark foi insuperável no estúdio, ainda que a Vivian Campbell seja um magnífico substituto no palco e com um peso histórico que prova ser o homem certo para a ingrata missão. Basta lembrar que o homem gravou com Dio seus maiores clássicos. Mesmo assim, a banda ainda se mantém forte, e chega em pleno 2017 no Brasil para seguramente fazer um show daqueles dignos de serem lembrados por gerações. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

SCORPIONS - BLACKOUT

     Depois de mudar sua sonoridade com o extraordinário Lovedrive e dar uma sequência muito interessante em Animal Magnetism, o Scorpions passou por poucas e boas antes de lançar o que é hoje um de seus maiores clássicos. Mais especificamente, o vocalista Klaus Meine foi o grande afetado com problemas sérios na garganta. Muitos duvidavam que uma das maiores vozes do Hard Rock conseguiria se recuperar, mas o fato é que ele parecia ter colocado cordas vocais de aço na operação a que foi submetido. O resultado foi um clássico atemporal, e até hoje sua voz está muito melhor do que a de muitos colegas de geração.  
      Blackout tem a marca do que era o Scorpions nos anos 80. Estabelecido com Klaus Meine (vocal), Francis Buchholz (baixo), Herman Rarebell (bateria), Matthias Jabs e  Rudolf Schenker (guitarra), o experimentalismo setentista, maravilhoso é bom lembrar, ficava para trás em detrimento de um Hard Rock bem mais simples e direto como a década pedia. Uma formula que tinha dado tão certo não precisava de mudanças. Dele podemos tirar hinos definitivos como No One Like You, Dynamite e a faixa-título. Não existe fã de Hard Rock nesse universo que não saiba cantar cada uma delas de trás pra frente. Isso já basta para eternizar o trabalho, mas uma audição mais detalhada nos entrega pérolas do porte de Can't Live Without You, You Give Me All I Need, China White e principalmente a extraordinária When the Smoke Is Going Down. Essa em questão para mim é a melhor do disco e uma das 5 melhores de toda a carreira da banda. Aquele tipo de power ballad que o Scorpions sabe fazer como poucos. Um playlist desses nunca poderia ter resultado diferente da fantástica vendagem e consagração definitiva. Naqueles tempos, o Scorpions garantiu participação nos maiores festivais da época e uma turnê para lá de bem sucedida. Era a coroação de uma era fantástica na carreira dos alemães. 
       Depois de 35 anos, Blackout nunca perdeu sua enorme relevância na história do Hard Rock. É um dos discos mais importantes já lançados pelo Scorpions numa era de ouro. A banda ainda viria a lançar outra pérola dois anos depois que atende pelo nome de Love at First Sting, mas isso é conversa para depois. O importante agora é celebrar o eterno legado de um trabalho como Blackout, um daqueles discos base para entendimento de um estilo de música. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

SHOW DO METALLICA - LOLLAPALOOZA 2017 - SÃO PAULO

     O Lollapalooza talvez seja o festival de música internacional do calendário brasileiro mais polêmico entre o público que curte Rock. No meu entendimento, cerca de 90% das atrações praticam um som que em nada me interessa. Agora uma coisa é inegável. Desde 2012, quando aportou por aqui, o festival apresenta ao menos uma grande banda no cast - não por acaso essa grande banda costuma ser headline. Bad Religion, Pearl Jam, Soundgarden (como me arrependo de não ter visto), Robert Plant, Queens of the Stone Age e Foo Fighters são alguns desses bons exemplos. Em 2017, essa responsa ficou com o Metallica - e com o Rancid também. Finalmente acabei decidindo ir a maior festa Indie do calendário anual, e honestamente, só pretendo voltar em caso muito nobre. 
      Lamentavelmente o problema não era a tal mistura de estilos - que na verdade não me incomoda nem um pouco. Festival por si só é visto como uma mistura de gostos diferentes num lugar só, cabe a cada um escolher o que interessa. A parada é que poucas vezes eu vi uma organização de evento tão problemática. Começando pelo local, o distante e nem um pouco confortável autódromo de Interlagos - e suas ladeiras insuportáveis. Cada detalhe nele obrigava caminhadas para testar a paciência de qualquer cristão. Felizmente o tempo ajudou, já que uma chuva daquelas transformaria aquele lugar num verdadeiro mar de lama. Agora o problema mesmo era para comprar alimentos e bebidas. Nunca vi um atendimento tão caro e precário na minha vida rockeira! Qualquer um que se aventurasse a comprar uma cerveja só conseguia isso enfrentando filas de quase 1h - incluindo breves encerramentos de atendimento no pacote. Vendedores separados eram pouquíssimos, se concentrando apenas na entrada e também com belas filas ao redor. Qualquer um que costuma ir a grandes shows sabe a diferença que eles fazem para quem quer consumir algo. Na área do palco que me interessava, localizado num vale de difícil acesso, não tinha um sequer. Não adianta falar que isso é culpa dos 100 mil presentes, já que em 2011 o Rock in Rio também atendia tal demanda de maneira muito mais eficiente. Enfim, nada no lugar era atrativo, jogando toda a responsabilidade em cima das bandas. Felizmente, elas fizeram valer o ingresso. 
    Metallica e Rancid fechariam a noite no palco Skol - o único que frequentei. O público do festival é muito heterogêneo. Não é aquele de Rock In Rio que vai basicamente ver o Headline da noite. Pela diversidade, tinha de tudo ali no meio. Agora os fãs de Metallica eram maioria absoluta, quase todos com a camisa da banda. O Rancid fez ótimo casamento, e em muitos casos a dupla agradou a um público bem parecido. Eu mesmo nunca fui um grande fã dos Punks debutantes no Brasil depois de 25 anos de espera, mas fui feliz assistir a apresentação.
     Entre um bom tempo na fila e outro na pista, vi uma apresentação fantástica para o que se propunha. Colocando rodas de respeito ao redor do lugar, foi 1h de intensidade total. Destaque para os hits Ruby Soho e Time Bomb. No mais,  Tim Armstrong (Guitarra e Vocal), Lars Frederiksen (Guitarra e Vocal), Matt Freeman (Baixo e Vocal) e Branden Steineckert (Bateria) passaram seu recado Punk com pitadas de Reggae com muita correção, agradando a todos! Para quem realmente curte, foi um show memorável, e até para mim que não conheço quase nada foi interessantíssimo! 
    No intervalo me restou tomar as únicas duas cervejas que arrumei e esperar pelo motivo que me levou até São Paulo. Lá vinha o Metallica, e junto deles uma legião de fãs que tomaram de assalto a festa alternativa. Com o sensacional Hardwired... to Self-Destruct para nos apresentar, James Hetfield, Lars Ulrich, Robert Trujillo e Kirk Hammet chegavam com sangue nos olhos para lavar a alma de todos - incluindo a deles mesmos. O vale distante em meio ao autódromo via ter cada espaço ocupado na hora que essa entidade do Heavy Metal iria tocar. 
      Antes de qualquer coisa, tenho a impressão de ter escolhido o melhor local possível para ver o show. Quem viu na TV sentiu um público bem apático, mas de onde estava, achei a participação muito legal. Rodas homéricas formadas no momento certo, disco novo recebido com muito entusiasmo, hits cantados em uníssono e até um pouco menos de celulares pro alto do que o normal. Enfim, os que estavam ao meu redor mostravam profundo conhecimento sobre a banda que estava na sua frente. Com um atraso muito pequeno, era hora do Thrash Metal dar as caras no festival pela 1a vez em seis anos. 
      Hardwired, a pedrada que abre o novo trabalho, cai como uma luva na abertura também do show. Muita agitação e cantoria provam a força absurda desse magnífico lançamento. Para arrematar, vem a também muito boa Atlas, Rise! - mais trabalhada que a abertura, mas igualmente forte. Como é legal urrar esse refrão matador ao vivo! Ai é hora de voltar no tempo. O primeiro clássico da noite é a indescritível For Whom the Bell Tolls. Um dos maiores hinos da história do Heavy Metal provoca aquela agitação no riff inicial - um dos maiores trabalhos de Cliff Burton - e tem cada verso cantado por milhares de vozes. Ai vem a boa The Memory Remains como única representante dos tempos de Load/Reload da noite. Sempre gostei dela e aquele coro no final é irresistível, mas quando pensamos que a mesma veio no lugar de coisas como Creeping Death, Ride the Lightning e Welcome Home (Sanitarium), para ficar só em algumas consagradas, soa desnecessária. Ainda assim, está longe de ser um peso morto no set. Até aqui já estava provado o estado de graça que se encontrava a banda. Todos estavam visivelmente felizes, e Kirk Hammet sola pela 1a vez na noite fazendo uma esticada no último som e breves trechos de The Judas Kiss - lado c de Death Magnetic. Ai a turma ataca com a magnífica Power Ballad The Unforgiven, um dos momentos máximos do magistral Black Album. Depois de breves toques do passado, é hora do Metallica mostrar orgulhoso mais alguns momentos do novo trabalho. Now That We're Dead tem seu refrão sensacional entoado por muitos, e Moth Into Flame recebe atenção até maior que esperada. Essa talvez seja a nova com efeito mais devastador ao vivo. Infelizmente muitos deixam a pérola Harvester of Sorrow passar despercebida, mas para mim é um dos grandes momentos de todo show. Essa maravilha de ...And Justice for All sempre emociona profundamente quando apresentada ao vivo, num dos pontos altos da noite. Já Halo on Fire não fica tão legal quanto no disco quando é colocada no palco. Ganha vida mais para seu final onde temos uma aula de riffs, mas poderia ser facilmente substituída por Spit Out The Bone, Murder One e Confusion por exemplo. Aqui acaba a participação de  Hardwired... to Self-Destruct no set. 
        Então o grande baixista Robert Trujillo faz o que é quase impossível. Ele transformou um solo de baixo em algo muito legal, coisa que só quem entende muito bem do assunto consegue fazer. Um homem com Suicidal Tendencies, Ozzy Osbourne e Infectious Grooves no currículo realmente não é um qualquer. Em meio a aula, rolaram trechos de  The End of the Line e, pasmem, Anesthesia (Pulling Teeth). A turma old school arrepia até seu último pelo com essa homenagem ao mestre Burton. Ai vem a maior surpresa da noite. Simplesmente Whiplash senhores! Obviamente essa pérola do Kill 'Em All abre de imediato uma roda daquelas para a turma Thrash banguear com gosto. Foi um sentimento único em meio ao Lollapalooza poder relembrar como deveriam ser as noites de 1983 em algum bar da Bay Area. Nessas notamos como o Metallica ultrapassou todas as barreiras possíveis e se transformou num nome de tamanha relevância para encabeçar um cast desses e tomar ele para si. Um Hetfield com sorriso daqueles faz a tradicional introdução para Sad But True perguntando se "queremos peso". Como de costume, arrebenta corações e pescoços! Se não bastasse tudo isso, James tem um ataque de fúria, no melhor sentido possível, tocando sua guitarra no chão como poucas vezes pude ver. A empolgação era visível Tava aberta uma sequência de hinos para ninguém botar defeito. É possível resistir a coisas do porte de One - só com explosões falsas e sem aquele aparato dos tempos de Death Magnetic - e Master of Puppets? Depois de Whiplash a banda parece ter explodido de vez, e até senti uma vontade extra deles de mostrar o verdadeiro Rock N'Roll para quem passava por perto curioso. Kirk faz simplesmente o maior solo que já vi ele produzir, com partes de Leper Messiah e um encerramento quase incendiário nos PA'S. Simplesmente de tirar o fôlego! Ai Fade to Black, maior Power Ballad da história do Heavy Metal, vem devastando corações de qualquer fã. Ta legal? Então que tal Seek & Destroy para fechar a parte regular numa demonstração do auge do Kill 'Em All? Nem precisa dizer que o pogo pegou fogo né? 
       Qualquer fã já estava com seu ingresso pago numa coleção de hits tocados como se deve. Felizmente ainda tinha mais. A seção de pancadaria fica fora de controle com Battery. Nessa duas rodas se juntaram para formar um mosh daqueles, com direito a sinalizador no meio e tudo! Ai a dupla dinâmica Nothing Else Matters e Enter Sandman fecha a conta com um festival inteiro celebrando o legado desse gigante, e os quatro agradecendo profundamente a recepção. Seguramente esse show está entre os grandes do Metallica que já vi. A banda ganhou vida nesse novo trabalho, e chegou até aqui para fazer a diferença no festival. Numa noite de quebra de recorde de público com 100 mil pessoas em Interlagos, o Heavy Metal roubou para si o famigerado Lollapalooza. Que no caso de outro gigante do Rock N'Roll presente no Line Up em 2018, a organização atenda minimamente bem o público que paga um absurdo de caro para estar lá. A grandeza das bandas salvou um festival caríssimo que beirava o amador em estrutura. 

quinta-feira, 9 de março de 2017

SHOW DO KREATOR + SEPULTURA + SOILWORK + ABORTED - LONDRES

    Durante uma viagem de férias na capital mundial do Rock N'Roll, tive a sorte de poder assistir um dos shows da aclamada tour europeia do Kreator. Para completar, a tour segue aquele padrão europeu de reunião de várias bandas relevantes na cena. Eram elas Sepultura, Soilwork e Aborted. Ou seja, se tratava de um mini festival. Não tinha como ser melhor. 
      A experiência de poder ver um show longe do seu país e perceber semelhanças e diferenças com ele é fantástica. O que se percebe de cara é o tamanho que essas bandas tem no velho continente. A casa tinha, de acordo com meu famoso "olhômetro", no mínimo 3 mil pessoas entupindo cada espaço dela. E era imponente aquele O2 Forum. Ele fica localizado próximo a Camden, o bairro mais Rock N'Roll de Londres, que possui uma cena incrível nas noites da cidade ao redor do incrível pub The End of The World. O local do show é um verdadeiro casarão que nada tem a ver com alguns de nossos buracos daqui. São diferentes níveis na própria pista, além do 2o andar, como uma decoração de teatro de elite no Brasil. Assisti tudo direto do mosh pit, esse sim exatamente igual ao nosso em nível de agitação. Uma peculiaridade dele certamente vocês já notaram em transmissões de todos os festivais. Sempre tem alguém o chamado surf crowding, inclusive com segurança atento pegando cada cidadão que voa pela galera e recolocando na pista. Quando dei por mim, fui um deles no show do Sepultura. Em linhas gerais, era um público fiel que idolatrava principalmente Kreator e Sepultura. Headbanger é headbanger em qualquer lugar. 
     A parte do Sepultura merece uma citação breve. Tudo que sempre ouvi falar da banda acontece de fato lá fora. Os ingleses tem verdadeira adoração pelo nosso maior expoente do Heavy Metal. Mesmo com tudo que aconteceu, a banda ainda consegue rivalizar com o Kreator em camisas, o que não é pouca coisa. No show, todos tinham os clássicos na ponta da língua, e inclusive pediam outros fora do set, como Troops of Doom por exemplo. Foi seguramente um momento que o orgulho de ser brasileiro explodiu no meu peito. Agora vamos aos shows em si. 
     A chamada pontualidade britânica realmente existe na prática. Cada apresentação foi rigorosa, o que não é fácil em um show desse tamanho. No Aborted, a casa ainda não estava em sua lotação máxima, contando com um público mais calmo em relação ao que estava por vir. Na hora h, mostraram o motivo de tanto prestígio. Um dos grandes sopros de renovação no Death Metal, os belgas desfilaram brutalidade em cerca de 40 minutos de show. O carequinha Sven "Svencho" sabia mexer com o público, sendo sempre atendido. Das oito músicas, eram quatro do mais recente disco Retrogore, mostrando que eles queriam mostrar para quem não conhecia o que é a banda hoje em dia. Claro que coisas como  Hecatomb e Meticulous Invagination não poderiam faltar. Enfim, a banda passou muito bem seu recado na abertura dos trabalhos. 
    O Death melódico do Soilwork nunca me chamou muita atenção, mas o show deles superou todas as minhas expectativas. Não é uma banda que conheço a ponto de poder avaliar muito bem seu repertório, mas num palco como aquele, os suecos crescem bastante. Eles já contaram com a casa lotada e extremamente receptiva ao seu som. A formação mostrou técnica apurada feita para shows maiores. A noite estava válida já ali.  
    Depois de duas grandes bandas relativamente novas, era chegado o momento dos dois gigantes do Thrash Metal - com mais de trinta anos nas costas - mostrarem sua relevância em 2017. O Sepultura não foi tratado em momento algum como "abertura". Para os presentes, eles eram co-headlines da noite. Eloy Casagrande (bateria), Andreas Kisser (guitarra), Derrick Green (vocal) e Paulo Xisto (baixo) já provaram em jornadas anteriores como a atual formação do Sepultura é forte ao vivo e no estúdio. A turnê tem como objetivo promover o bom Machine Messiah. O set mostrou isso, mesmo relativamente curto, com 5 músicas novas muito bem recebidas por um público que se curvava a história da banda. A abertura foi logo com duas delas, I Am the Enemy e Phantom Self - mais que aprovadas no teste do palco. Choke foi a outra representante dos "anos Derrick" além das novas, voltando ao hoje já distante Against (consegue perceber que o 1o disco com o americano já tem quase 20 anos?!). Então o público explode de vez com a mais que clássica Desperate Cry. O mosh pit era intenso, sempre com aquele "Seputhura" no melhor sotaque Inglês gritado a cada intervalo. Depois da breve volta no tempo, chega a hora de mais duas novas. Alethea e Sworn Oath mostram os bons atributos do novo trabalho, que ao meu ver passa longe de ser clássico como alguns falam, mas tem sim muita qualidade. Ai um verdadeiro hino que atende pelo nome de Inner Self instala o caos Inglês, voltando ao disco que fez o mundo se curvar diante desse entidade chamada Sepultura - Beneath the Remains. Resistant Parasites encerra a participação do novo disco na noite, que segue com uma sequência inevitável de hinos da banda. Tome Refuse/Resist, Arise, Ratamahatta e o obrigatório encerramento com Roots Bloody Roots. Ovacionado, o Sepultura parece cada vez mais disposto a viver do presente, mas obviamente celebrando também os discos que fizeram ele ser o que é. O público Inglês mostra enorme respeito com a banda atual sempre que pode, e ganhou uma grande apresentação dos brasileiros. Na minha viagem, foi um grande momento de celebração da minha terra ao lado de alguns brasileiros que pude encontrar ali, sentindo exatamente o mesmo que eu.
     Ai vem aquele breve intervalo para reconstrução das forças para nos curvarmos diante da lenda alemã Kreator. Depois de lançar o fantástico Gods of Violence, mais uma vez Mille Petrozza (guitarra e vocal), Jürgen Ventor (bateria, vocal), Christian Giesler (baixo) e Sami Yli-Sirniö (guitarra) chegam para promover a tradicional destruição. E fazem isso com uma estrutura de palco fantástica. Tinha fogo, explosão, fumaça, papel picado, serpentina e muito mais, algo raro em shows de Thrash Metal. Mais do que isso, teve um público nas mãos que sempre respondia a convocação para o mosh pit - tradição da lenda Mille Petrozza ao longo do show. Assim como na última turnê, o Kreator segue dando uma atenção enorme aos lançamentos posteriores a Violent Revolution na hora de formar seu setlist. Não tem como reclamar, já que as mais recentes trabalhos são fantásticas e o resultado ao vivo é sempre indescritível, seja no Carioca Club ou no O2 Forum.
    A abertura vem com a ótima e já permanente no set Hordes of Chaos - um dos refrões mais fortes da banda. Phobia vem representando os controversos anos 90, mas se é para lembrar de algo relevante feito ali, que seja esse sensacional som. Ao vivo ela cresce muito, e sempre acaba se tornando um dos momentos mais interessantes do show. Com esse começo sensacional, já era jogo ganho para mostrar algumas novidades de Gods of Violence. Nesse momento, dei uma corrida no banheiro para tentar dar um jeito no sangramento no nariz proveniente de um esbarrão sutil no mosh, mas mesmo mais de longe é possível notar como Satan Is Real chega imponente no palco. Então Gods of Violence vem para provar de vez como a banda esteve inspirada num disco que já de cara pode ser apontado como um dos melhores de 2017. A grande forma de estúdio sempre passa para o palco, e nesse assunto, poucos dominam como o frontman do Kreator. Além da voz inconfundível e das palhetadas certeiras, ele sabe como e quando falar com o público, botando ainda mais fogo na explosão em forma de roda que toma conta da pista.
     Ai chega o momento de fazer uma viagem no tempo até os anos de ouro do Kreator. O hino definitivo People of the Lie é a única representante da obra-prima Coma of Souls. A que é para mim a melhor música da carreira do Kreator tem cada verso urrado tanto pelos fãs mais novos quanto pela turma old school. Para arrematar de vez, vem a mais grata surpresa do set. Total Death, uma verdadeira pérola da destruidora estreia que atende pelo nome de Endless Pain vem para arrepiar qualquer um que tem o Thrash Metal no coração. Urrar versos como "Try to run or hide from the death" junto com Petrozza é um verdadeiro sonho para qualquer fã do estilo. Facilmente essa dupla pode ser apontada como o maior momento da noite. Em sequência vem a faixa título de Phantom Antichrist, que mesmo não sendo o disco da tour, ainda tem enorme espaço no setlist. Quando ele começa a "envelhecer", da para sacar de fato qual é a dele, e o tempo vai eternizando o mesmo como um dos grandes trabalhos do Kreator. É a deixa para a fantástica nova Fallen Brother, com aquele clipe sensacional em homenagem a grandes nomes da música que nos deixaram. Ele engrandece ainda mais esse som simplesmente único. Enemy of God, outra dos tempos mais recentes já com lugar cativo no set, deixa forte o discurso da banda contra os abusos polítocos e da igreja - sempre lembrados por Mille antes de toca-la. From Flood into Fire, mais uma maravilha de  Phantom Antichrist, faz por merecer ser novamente lembrada na tour seguinte. Boa deixa para World War Now, a pedrada que abre o novo trabalho como um de seus grandes momentos. Já Hail to the Hordes
eu achei um tanto forçada para o momento, fazendo muitos pararem rapidamente para tomar um ar. Para ficar no disco novo, eu teria escolhido Totalitarian Terror por exemplo. O momento pedia um clássico, e ele veio com a indispensável Extreme Aggression, que colocou fogo na pista. Então Civilization Collapse, a melhor de Phantom Antichrist, mantém a empolgação para fechar a parte regular do show. Então Violent Revolution abre o bis para celebrar o marco que é na história da banda - um verdadeiro renascimento de uma lenda. Para fechar a conta, é hora de clássicos oitentistas. Com a tradicional bandeira em punhos, Mille anuncia a irresistível Flag of Hate, num medley com a gratíssima surpresa Under the Guillotine - uma pérola escondida em Pleasure to Kill. Como não tem cabimento o Kreator deixar o palco sem tocar seu maior clássico, cabe a Pleasure to Kill fechar um grande show de Thrash Metal. 
     Nessa nova turnê, o Kreator celebra sua história sem ficar preso no passado. A banda valoriza muito o que foi feito nos discos mais recentes, e em cima deles forma a base do setlist. Mesmo sentindo falta de coisas como Coma of Souls, Endless Pain ou qualquer uma do esquecido Terrible Certainty, não tem como reclamar de um show como esses. Além da sempre grata experiência de ver uma banda como o Kreator em ação, poder compartilhar isso num país tão distante é ainda mais gratificante. Da terra da rainha, só tenho boas lembranças, e a prova de que headbanger é igual em qualquer lugar do mundo - uma paixão sem fronteiras. 


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

KREATOR - GODS OF VIOLENCE

       Desde que lançou o ótimo Violent Revolution em 2001, o Kreator vive uma fase sólida. Podemos considerar ela uma espécie de fase 3, que usa toda a fúria Thrash Metal dos primeiros anos, mas de uma forma menos suja e direta, e sim com doses melódicas misturadas. Desde então, a banda da um certo intervalo para cada lançamento, compensando com extrema qualidade em cada detalhe deles - inclusive formando um set com muitas músicas mais recentes. Gods Of Violence é mais uma obra fantástica do Kreator, uma banda que se recusa terminantemente a envelhecer. 
       A abertura com World War Now não poderia ser mais espetacular. Show de riffs e batidas precisas na introdução, explodindo num refrão fantástico com aquela voz única de Mille Petrozza dando todo o peso que a música merece. Com Satan is Real, que chega numa formula de repetição do refrão para arrepiar o ouvinte, deixa o nível o mais elevado possível. Dois clássicos imediatos. Totalitarian Terror, num agudo daqueles de Mille para começar por cima uma letra espetacular e pertinente para os dias atuais, e a faixa-título conseguem uma sequência de clássicos (isso mesmo, CLÁSSICOS) para eternizar o trabalho. Os veteranos Ventor, como sempre arregaçando seu kit, e Mille seguem ditando as regras ao lado dos já plenamente estabelecidos Christian Giesler (baixo) e Sami Yli-Sirniö (guitarra). O trabalho dos dois guitarristas aqui é digno de uma dupla entrosada há tanto tempo, sendo um dos melhores desses mais de trinta anos de história da banda. O Kreator tem na formação de 16 anos um dos segredos para tanta coisa boa saindo em sequência. A épica Fallen Brother é outro destaque absoluto do trabalho, assim como seu clipe que presta homenagem a gigantes do Rock que lamentavelmente não estão mais nesse plano. Death Becomes the Light chama atenção pelo começo melódico que depois explode numa porrada Thrash daquelas - um efeito sempre ótimo. Army of Storms, Hail to the Hordes, Lion With Eagle Wings e Side By Side também merecem audição, mesmo não tendo o nível tão extraordinário quanto o das já citadas. 
         Neste começo de ano, o lançamento de mais uma obra fantástica do Kreator faz muito bem ao Heavy Metal em geral. Sempre é interessante ver um gigante em grande forma como é o caso desse baluarte alemão, terra que sabe fazer Thrash Metal como poucas no mundo. Gods of Violence é o sucessor que Phantom Antichrist pedia, nascendo com ao menos cinco músicas com total potencial para ser consagrada como clássico no futuro. Até o título é totalmente apropriado para o que representa o Kreator, banda que continua honrando o nome que tem nesse inspirado século XXI.




terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

ALGUNS MOMENTOS DE DIÁLOGO ENTRE O ROCK N'ROLL E OUTROS ESTILOS

    Poderia falar sobre o assunto mais comentado do momento no mundo do Rock citando as pataquadas históricas do Grammy - que não são poucas. A verdade é que a música pesada nunca foi levada muito a sério pela premiação. Desde uma bizarra "estatueta" de melhor performance Heavy Metal entregue ao fantástico, mas Progressivo Jethro Tull - que venceu o Metallica na ocasião -, passando pela ignorada solene dos falecimentos recentes de gente do porte de Jeff Hanneman e Nick Menza até o show de horrores que foi a edição desse ano. Sim, é inadmissível que se cometa uma gafe do tamanho de uma Master of Puppets "anunciando'' um prêmio para o Megadeth e os problemas amadores que simplesmente arrebentaram com o show do Metallica. Ainda com todo esse currículo, acho que vale a pena falar do show acima dos problemas. 
       Muito se comentou a respeito da apresentação do Metallica com a estrela Pop Lady Gaga. Tudo ficou dividido entre elogios e críticas (na maioria das vezes muito bem elaboradas, fugindo do chororô tr00 que por vezes acontece). Eu fico com os que gostaram, mesmo respeitando os muitos que acharam que a combinação não saiu como esperado. A verdade é que se era pra chamar uma estrela Pop para um dueto, a garota era a pessoa certa. Talentosa pra cacete, consegue fazer o melhor que o estilo representa, algo que 99% dos pares não faz. Nunca acompanhei seu trabalho a ponto de comprar discos e ir em shows, mas sei reconhecer quando a coisa é bem feita e quando não é. A ideia era claramente dialogar dois universos hoje tão distantes, e pelo que vi, deu muito certo.
        Além disso, ela tem um amor incondicional por Rock N'Roll. Já foi vista com integrantes de bandas como Iron Maiden, Saxon, Judas Priest, Kiss e Rolling Stones, vive indo a shows quando possível, e na noite da premiação estava radiante a tal ponto que registrou uma tatuagem para lembrar pra sempre do dia em que tocou com o Metallica, citando essa apresentação como um dos maiores momentos que já viveu no palco. Na apresentação, não da para negar que o microfone fudido de James Hetfield atrapalhou muito, mas como gênios que são, tanto a banda quanto a cantora deram um jeito de passar por cima e mostrar um resultado bem legal. Se ela se empolgou demais numa performance excêntrica, todos sabem que isso está incluso no pacote dela. 
        Agora voltando no tempo, podemos lembras de algumas parcerias épicas entre o Rock e outros estilos. O mais clássico é com o Rap. Se o Aerosmith passou pelos grandes momentos noventistas, muito se deve a lendária parceria com o Run DMC, um dos maiores nomes da história do Rap, na releitura do clássico setentista Walk This Way. Uma banda que passava por poucas e boas ao longo dos anos 80 estava pronta para voltar de vez para o topo, bastando responder com Permanent Vacation e Pump por exemplo. Outra parceria de gigantes que fez sucesso naqueles tempos foi do Anthrax com o Public Enemy em Bring the Noise. Para citar um único artista que conseguiu transitar entre os dois universos com brilhantismo, não podemos esquecer de Ice T. O Rapper que já tem uma carreira enorme no estilo ainda fez questão de formar o Body Count, fazendo com a banda uma barulheira das boas. Isso para não citar certos Faith No More e Rage Against The Machine, bandas que conseguem por si só promover uma belíssima mistureba.
        Voltando ao Pop de Lady Gaga, é impossível falar do estilo sem citar o seu maior nome. Michael Jackson concentra tudo que existe de melhor na música Pop em um único nome. O gênio não abriu mão do Rock N'Roll em alguns de seus momentos mais brilhantes. Em Beat It, talvez um dos seus três maiores clássicos, os dedos mágicos de Eddie Van Halen na guitarra ajudaram em muito no tamanho da música. Com Slash, o astro repetiu a dose em Black or White, outro enorme clássico. 
    Enfim pessoal, esses são alguns exemplos de como gênios de estilos diferentes sabem dialogar no palco pelo simples fato de serem muito bons no que fazem. No caso mais recente, uma avaliação melhor só seria possível num show onde a aparelhagem não atrapalhe tanto quanto foi agora, mas no que foi possível eu vi a voz de Lady Gaga caindo muito bem com a música do Metallica. Se essa parceria pode ir para frente numa outra oportunidade, vamos ver o que o tempo diz, mas o palco deu sinal verde no meu modo de ver. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

SHOW DO TITÃS - CIRCO VOADOR - RIO DE JANEIRO

     Uma banda que começou com nove integrantes há mais de 30 anos, aos poucos enxerga sua formação original cada vez mais curta. Por anos, as substituições eram feitas com nova distribuição de tarefas dentro da própria banda, mas com a saída de Charles Gavin, os veteranos foram obrigados a renovar a frota com Mario Fabre. Agora para preencher a enorme lacuna deixada por Paulo Miklos, o escolhido foi o guitarrista Beto Lee - tendo as músicas cantadas por Paulo agora divididas entre os que sobraram. Cabe então ao trio original Sergio Britto, Tony Bellotto e Branco Mello manter a chama de uma das grandes bandas de Rock do Brasil acesa. Um dos primeiros grandes testes seria no palco, de frente para um fiel público carioca que lotava cada espaço do Circo Voador. 
      Depois da abertura do caricado Supla, que teve seu nome gritado por todos depois de fazer a turma dançar e cantar alguns de seus hits oitentistas e clássicos de Beatles e David Bowie, era hora de ver a nova formação dos titãs em ação. Com um Beto Lee tocando fácil, mas ainda muito contido no canto do palco, os veteranos entraram com gás e um repertório escolhido com precisão para começar o baile. 
       Para já chegar com força, vem a faixa-título do grande disco dos Titãs - Cabeça Dinossauro. Para manter o clima, o riff sensacional de Diversão é cantado como de costume, assim como a ótima letra. São amostras dos tempos de ouro dessa grande banda. A pedrada AA UU bota todos para pular, seguida por A Melhor Banda de Todos Os Tempos da Última Semana - uma das poucas que salva do trabalho de mesmo nome. A chapadona e sensacional O Pulso e o tradicional cover para Aluga-se de Raul Seixas - precisamente dedicada ao povo mexicano - marcam um começo fantástico de show. Ai vem as gratas surpresas da noite. O espetacular e por muitas vezes esquecido Titanomaquia foi lembrado com a pedrada Será Que É Isso Que Eu Necessito - o grande momento da noite - e Nem Sempre Se Pode Ser Deus. Ver um Sergio Britto encenando crucificação com o pedestal do microfone em alusão a parte da letra foi a cereja do bolo. A clássica Sonífera Ilha bota a turma oitentista para dançar na lona, seguida pelas únicas novas (já não tão novas assim) Fardado e Chegada ao Brasil (Terra a Vista) - vindas para provar o poder de fogo de  Nheengatu. Os clássicos Televisão e Lugar Nenhum colocam um ponto numa sequência inicial espetacular. 
    Já era possível sacar qual era a desse novo Titãs. Sergio Britto e Branco Mello foram bem fazendo partes originais de Paulo, mas não tem como não sentir falta de um cara desse tamanho. Com isso já em mente, a nova versão da banda conseguiu dar conta da bronca. Beto é um ótimo músico, e se encaixou muito bem com Bellotto. Sim, ainda não está muito a vontade no palco, mas com o tempo isso vem. O guitarrista original então vem ao microfone saudar o público e fazer a grande novidade da noite. Pela 1a vez na história da banda, Tony Bellotto assume o vocal, e não decepciona com a mais ou menos Pra Dizer Adeus - dedicada a sempre presente esposa e global Malu Mader. Foi o início de uma sequência, ao meu ver, desnecessária daqueles sons mais "calmos" que tantos frutos renderam a banda ao longo dos anos. 
     Tome a insuportável Epitáfio, a versão diferentona para o clássico do Barão Vermelho Pro dia Nascer Feliz e as antigas e chatíssimas Go Back e Marvin. Entendo as escolhas por ter muitos ali querendo ouvir, mas não me cai bem. Ainda assim, méritos para a banda que conseguiu montar um set que agrada todo seu público para lá de heterogêneo. Passado isso, é hora da sequência final com grandes clássicos da carreira. Homem Primata, Polícia e Flores encerram a parte regular da brincadeira. Para o bis, uma banda feliz retorna para cantar a sensacional Desordem, sua música mais legal e eternamente atual. Bichos Escrotos, cantado a capela pelo público em todo o intervalo, chega com o reforço de Supla no palco - que basicamente fez figuração. A não menos atual Vossa Excelência fecha a conta de uma grande noite de Rock N'Roll.
      Ninguém sai impune de uma troca tão grande na formação, mas o novo Titãs ainda sabe fazer um grande show de Rock. Banda com porradas sensacionais e muita história, somada a uma ou outra baladinha chata, soube escolher coisas do agrado de todos os diferentes fãs que sempre respondem ao chamado para qualquer show. O Circo virou a casa carioca nos últimos anos, num casamento espetacular. O Titãs passou bem pelo teste do palco, agora é ver se Nheengatu terá um sucessor a altura.