sábado, 2 de setembro de 2017

RUSH - A FAREWELL TO KINGS

      Com 2112, o Rush chutou o balde para as cobranças. O disco foi uma espécie de "vai ou racha" para a gravadora, depois do retumbante fracasso comercial de Caress of Steel. A ordem era ser mais "acessível". Hoje todos sabem que foi fazendo justamente o oposto que Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart conquistaram o mundo num dos maiores discos da história do Rock. Assim sendo,a tão querida liberdade criativa foi garantida para uma banda que tem a ousadia em seu DNA. Qual seria então o próximo passo? A resposta é simples, mais um clássico com o melhor do Hard Rock 70' e do Progressivo!
     Em A Farewell to Kings, o Rush consegue viajar pelo melhor dos mundos entre tudo que foi feito até então. Temos músicas longas, hardões setentistas de primeira e power ballads de arrepiar. Tudo começa com a magnífica faixa-título, que na minha avaliação é uma das 5 melhores da carreira banda. Começando num belo dedilhado de Lifeson, ela estoura num riff simplesmente memorável que só um dos maiores trios instrumentais da história do Rock poderia forjar. A aula segue numa melodia simplesmente mágica de uma letra que cai como uma bomba de tão perfeita que é. Tudo fecha a conta num refrão épico. Pronto, aqui temos uma música perfeita nos mínimos detalhes. Até hoje me pergunto como essa pérola não é ao menos um dos três maiores hits do Rush. Nos temas mais longos, temos duas porradas dignas de um Rush no auge. Xanadu - uma das músicas mais queridas dos fãs até hoje - e Cygnus X-1 são uma verdadeira aula prática de gênios no assunto. O papel de maior clássico do trabalho fica com a linda Closer to the Heart. Simples como só ela, quarenta anos depois ainda faz muito barbudo chorar com sua letra magnífica. Cinderella Man e Madrigal fecham a conta de forma não menos impecável.
     O disco em questão está para mim entre os três ou quatro melhores do Rush, representando com perfeição o seu auge - os anos 70. Dali a banda seguiu sua jornada pelo mais alto nível do Rock N'Roll, com boas vendagens disco após disco. Depois de 40 anos, essa obra segue sendo uma das mais relevantes na longa e gloriosa carreira do Rush.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

SHOW DO TESTAMENT - CIRCO VOADOR - RIO DE JANEIRO

    Apenas dois anos depois de devastar aquela mesma lona ao lado do Cannibal Corpse, o lendário Testament volta ao Rio de Janeiro com disco novo na bagagem para fazer a festa do thrashers cariocas. Num Circo não tão lotado como em 2015, mas ainda assim com um ótimo público estava pronto para ser transportado sem escalas para algum clube da Bay Area em 1988. Quando uma banda desse calibre aparece, é uma convocação para os frequentadores ativos da cena, e para onde se olhava tinham rostos conhecidos. O cenário para uma noite perfeiuta estava pronto. 
      A abertura ficou por conta do Prophecy, banda velha conhecida do cenário Thrash carioca. Como esperado, deu conta do recado com sobras. Com um som apenas razoável, espaço de palco e tempo reduzidos, conseguiu tirar proveito daquele público saíndo de palco ovacionado. Do show, peguei apenas o final, mas foi o suficiente para ver que eles mereciam tal oportunidade - tradicionalmente meritocrática pelas mãos da ótima produtora LiberationMC. 
     Com pontualidade, era hora de todos se curvarem diante de Chuck Billy (vocal), Gene Hoglan (bateria), Steve DiGiorgio (baixo), Alex Skolnick e Eric Peterson (guitarras) - uma das melhores formações ostentadas pelo Testament em sua gloriosa história. Para começar os trabalhos, vem a magnífica nova Brotherhood of the Snake, que também é o nome do disco. Com um peso descomunal e melodia inspiradíssima, é jogo ganho de cara. Seguindo numa pegada entre os discos mais recentes que ditou a 1a parte do show, a já clássica Rise Up tem seu refrão urrado por todos - mostrando a força de Dark Roots of the Earth. More Than Meets the Eye, do não menos espetacular The Formation of Damnation, tem seu lugar cativo no setlist. Com quase 10 anos desde seu lançamento, tem até seus riffs cantados. E como essa dupla de guitarristas é maravilhosa! Nada como os anos e anos de parceria. Depois de uma breve viagem no passado recente, o presente volta a ditar o ritmo com The Pale King e a traulitada Centuries of Suffering. A dupla veio referendar o sucesso do novo disco onde ele é posto a prova - no palco!
     Em seguida, vem uma das maiores novidades do setlist. Electric Crown é muito celebrada pelos presentes. Então Chuck apresenta Into The Pit como se deve ao público, ao lembrar dos tempos em que essa música destruia pistas ao longo da Bay Área. Só a apresentação já arrepiou a alma, então imagina o riff cortante desse hino botando uma roda por toda pista de imediato? Nada mais Testament que isso... Com a pista no 220, vem Stronghold - que ficou simplesmente épica ao vivo! Uma rifferama com a assinatura da banda, e vocais inspiradíssimos de Chuck - como o homem está inteiro hein! Depois da explosão de Thrash Metal, vem a maior surpresa da noite. Throne of Thorns, direto de algum lugar no meio de Dark Roots of Earth faz sua estreia na tour brasileira. Depois desse susto, Low chega muito celebrada como outra escolha pouco usual. Então dali pra frente, era só hino do Thrash Metal em seuência. O primeiro deles foi simplesmente Practice What You Preach, infelizmente a única representante da obra-prima de mesmo nome na noite. The New Order arrepia qualquer thrasher com um refrão que todos tem na ponta da língua. Para todos se recuperarem, a instrumental - e impronunciável - Urotsukidôji chega para o brilho absoluto de Steve DiGiorgio. Em seu solo, temos apenas uma prova cabal de genialidade de um dos maiores baixistas da história do Heavy Metal. Ninguém ostenta bandas como Sadus, Death e Testament no currículo de graça. Então a lenta e maravilhosa Souls of Black chega para emocionar todos os presentes. Numa viagem para os primórdios, Over The Wall e Alone in the Dark fecham a parte regular num coro simplesmente lindo ao final dessa última. E como foi fantástico poder ouvir tal pérola ao vivo! Para fechar a noite, simplesmente Disciples of the Watch. Era a deixa final para que thrashers davastados voltassem para casa de alma lavada, prontos para começar a semana. 
         O Testament está na ponta dos cascos. Mesmo depois de uma sequência cansativa de shows, os veteranos terminaram uma apresentação irretocável no Rio de Janeiro. Quem pode estar lá constatou que não é apenas no estúdio que a perfeição acontece. Nesse ritmo e com o bom comparecimento do público, podemos ter a certeza que vem mais clássicos pela frente, e certamente mais noites maravilhosas de Thrash metal como essa que passou. Enquanto o Testament estiver vivo e ativo, o estilo respira! 


domingo, 13 de agosto de 2017

SHOW DO RATOS DE PORÃO - CIRCO VOADOR - RIO DE JANEIRO

    O banger carioca já tá cansado de saber. Show do Ratos de Porão na lona sagrada é evento anual com garantia de satisfação. Com 35 anos nas costas, uma das maiores bandas da história do nosso Punk, Thrash, Metal, Crossover, Hardcore, Grind ou seja lá qual for seu rótulo preferido segue ativa e produtiva. A cada show por aqui, uma época é escolhida para ser celebrada. Dessa vez, a honraria ficou com Cada Dia Mais Sujo e Agressivo. O disco que solidificou o nome do Ratos, mergulhou de vez no Crossover/Thrash e deu inicio a época de ouro da banda sai do status de lado b para reinar absoluto num Circo com público apenas razoável, mas sedento por música boa. Era noite de lembrar dos tempos de união com o Sepultura, gravação em Minas na batuta da Cogumelo e deliciosas memórias do gênero. 
      Para aquecer, outra banda com muita história no Hardcore nacional. Era o Devotos, hoje formado por Cannibal (baixo e voz), o Neilton (guitarra) e o Celo Brown (bateria). Celebrando os 20 anos do clássico Agora Tá Valendo, o trio pernambucano fez a festa de muitos que tinham as letras na ponta da língua. Mesclando muita velocidade e cadência, foi um começo de noite bem interessante pelas mãos de um grupo de exímios instrumentistas. 
      Então o Ratos chega para botar fogo na lenha. "Cada Dia..." não seria tocado na íntegra, mas sim muito bem explorado. Logo de cara, sua sequência de quatro músicas iniciais foi apresentada. São elas Tattoo Maniac, Plano Furado, a sensacional Ignorância e Crise Geral - maior clássico do disco. Ai a mescla de material começa num pulo em Crucificados pelo Sistema com o clássico Morrer. Para quem  está acostumado com um show do Ratos, estava tudo nos conformes. Juninho, Boka e Jão engolindo seus instrumentos e João Gordo vomitando tijolo de tal forma que um fã menos atento nem nota sua música preferida passar. Gordo mostra seu enorme talento como comunicador para se dirigir ao público e dar seu recado. Mad Society é uma curiosa lembrança de Anarkophobia. Ai de Brasil, vem a traulitada Crianças Sem Futuro. Já deu para perceber que era um show para fã, e marinheiro de 1a viagem ficaria perdido nas escolhas. Já Ascensão e Queda mostra uma parte mais clássica da história do Ratos, estando sempre presente nos shows. Era a deixa para o hino definitivo  Beber Até Morrer botar fogo na pista. Seguindo no Brasil, vem a ótima Máquina Militar para manter o clima. Dos clássicos, é hora de voltar ao presente pelo trabalho mais recente. De Século Sinistro, a por vezes escondida Sangue & Bunda - com a letra mais que atual devidamente recitada pelo vocalista. Uma ótima lembrança para mostrar a qualidade do disco em questão. Ai temos uma breve passagem por Carniceria Tropical com Banha e Arranca Toca. Tudo isso numa sequência de coisas um pouco mais recentes e pouco usuais em shows. Exército de Zumbis - presente apenas em um split -, Expresso da Escravidão e a mais que rara Engrenagem - do lado c Onisciente Coletivo - mostram muitos predicados recentes do Ratos. Depois de toda essa viagem, é hora de voltar ao disco da noite. Pensamentos de Trincheira, Peste Sexual e Sentir Ódio e Nada Mais são outras pérolas resgatadas de "Cada Dia..". Ai o hino  Crucificados Pelo Sistema fecha a parte regular numa roda daquelas. Para fechar a conta com clássicos, nada melhor que as espetaculares Aids, Pop, Repressão e Igreja Universal - com lembrança de público e banda para o nobre prefeito da cidade do Rio de Janeiro.
       Numa noite de boas lembranças pouco presentes em shows recentes e clássicos indispensáveis a qualquer show do Ratos de Porão, quem foi ao Circo viu uma banda que segue na raça. Não é fácil tocar essas músicas na idade dos caras, e com tudo que eles já carregam dos anos de estrada. A experiência de ver essa lenda de perto sempre vale, e todos sabem, nunca será um show repetido. O Ratos de Porão não tem medo de passear por sua longa história. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

DEF LEPPARD - HYSTERIA

     Até a virada de 1984 para 1985, tudo corria maravilhosamente bem para o Def Leppard. Com três discos na bagagem e acumulando um crescimento progressivo de vendas e prestígio, a banda estava no mais elevado patamar do Hard Rock mundial - muito distante do cenário da NWOBHM de onde surdiu. Pyromania estourava clássicos como Photograph, Foolin e Rock of Ages nas paradas, e Joe Elliot (vocal), Rick Savage (baixo), Rick Allen (bateria) Phil Collen e Steve Clark (guitarras) viviam a vida rockstar que todos nós imaginamos. Até que a banda teve de enfrentar seu primeiro problema - e que problema foi esse! O baterista Rick Allen sofreu um acidente de carro no ano novo, e perdeu um braço. Sim, seu principal instrumento de trabalho. A situação da banda ficou complicadíssima, e incertezas cercavam o quinteto. 
      Incrivelmente, Rick não se deixou abater, e adaptando um kit para suas necessidades seguiu em frente. A banda foi de uma nobreza rara, e no auge esperou até poder contar novamente com seu baterista. Com tudo isso, foram 4 longos anos até o lançamento de Hysteria. Naqueles tempos, isso poderia ser fatal para o grupo no concorrido cenário do Hard Rock. As dúvidas sobre o Def Leppard sumiram na 1a audição do que hoje é considerado seu maior clássico. Allen tocava como nunca, e a banda conseguiu o impossível. 
       Hysteria é uma coleção de clássicos para ninguém botar defeito. Entre eles, podemos considerar Pour Some Sugar on Me o hino definitivo não só do trabalho, mas de toda a carreira do Def Leppard. Um Hard Rock 80' em puro estado, do começo caótico e entreda marcante de Allen, viu sua consagração num refrão sensacional. Uma verdadeira definição de estilo! Numa pegada de baladas - especialidade da casa - temos estouro semelhante com a sensacional faixa-título e a irresistível Love Bites. O citado trio comandou as vendas, mas coisas como Women, Animal, Rocket e Armageddon It não ficam muito longe, fazendo de Hysteria um verdadeiro "best of"' do Def Leppard. Todas essas músicas são presenças constantes em qualquer apresentação, como as três que o Brasil terá oportunidade de ver no mês que vem. Com doze faixas no total, lados b como Don't Shoot Shotgun, Love And Affection e Run Riot não deixam a peteca cair, e também fazem qualquer fã do estilo pirar nos últimos 30 anos. 
        O disco não só é a afirmação definitiva do Def Leppard, mas uma resposta triunfal para os problemas enfrentados pelo baterista. A formação clássica está no seu auge, e transpira inspiração a cada segundo do trabalho. Valeu a pena estender a mão para Allen no momento mais dramático de sua vida. A recompensa é eterna no coração dos fãs. Mesmo depois de vender como água e rodar o mundo lotando arenas, infelizmente o Def Leppard não teria paz, e durante a gravação do sucessor de Hysteria teve de enfrentar uma tragédia ainda maior - a morte de Steve Clark. O baque é sentido até hoje, e os ingleses nunca mais colocaram pra jogo nenhum disco que se iguale aos feitos com as primorosas composições de Clark. Como se precisasse mesmo disso....


domingo, 23 de julho de 2017

SHOW DO EDU FALASCHI - TEATRO RIVAL - RIO DE JANEIRO

    O Angra é uma instituição do Heavy Metal brasileiro. Sobre isso não restam dúvidas. Agora é inegável que a história da banda é rica em turbulências, polêmicas e coisas do gênero. Com fases e formações diversas, o Angra viveu o auge do estilo em dois momentos. Um com a formação original, e outro na inacreditável volta depois da saída de Andre Matos, Luis Mariutti e Ricardo Confessori. Coube a Edu Falaschi, Aquiles Prestes e Felipe Andreoli segurarem a bronca. Fizeram isso com lançamentos magníficos que marcaram toda uma geração no começo dos anos 2000. Esses tempos que Edu Falaschi decidiu reviver com a atual turnê. 
      Iniciativa de um cara bem quisto por todos da atual formação - em que pese a polêmica pelo nome da turnê aparentemente já resolvida - e por quem conviveu com ele naqueles dias, era hora de reviver uma época fantástica com o público. Já são seis anos que Edu saiu do Angra, e desde então sua carreira segue muito bem com o Almah e outros projetos. A causa era tão nobre que o homem conseguiu convencer Aquiles a tocar um material do qual ele se recusava a fazer há 10 anos. O mesmo fez questão de deixar isso claro ao longo da apresentação, falando que o motivo para aceitar era nunca ter tido nenhum problema com "aquele cara", no momento que apresentou o dono da festa para os aplausos - além de poder mostrar essas músicas no palco para quem não teve oportunidade de ver naqueles tempos. O tecladista Fábio Laguna foi outro a aceitar reviver o repertório do Angra, formando um verdadeiro time de estrelas. Do Almah, foram convocados o baixista Raphael Dafras e o guitarrista Diogo Mafra. Para fechar, Roberto Barros assumiu a outra guitarra. E que time entrosado! 
      Estava tudo pronto para um Teatro Rival sold out celebrar o legado do Angra com Edu Falaschi nos vocais. A antigo, pra lá de charmoso e acanhado teatro no subsolo da Cinelândia ficou pequeno para a noite, que teve muitos sem ingresso, forçando uma promessa de pronto retorno. Com um atraso mínimo, necessário para que todos os apressados que corriam do trabalho chegassem, a intro Deus Le Volt! da o clima do que seria a noite dali pra frente. Spread Your Fire, faixa que abre o fantástico Temple of Shadows, também é a responsável por fazer um público que tem o Angra no coração cantar cada verso com paixão. Em apenas uma música, fica clara a devoção do público pelo trabalho de Edu a frente da banda. Então Acid Rain, de Rebirth, segue exatamente com a mesma empolgação. O som vai se ajustando, mas já é muito bom. Running Alone, uma espécie de lado b da estreia de Falaschi, tem ótima recepção, com seu refrão marcante muito cantado.
     Como de Edu, Aquiles - que teve o nome gritado na mesma proporção de Falaschi pelos presentes durante todo show - e Laguna todos já sabiam exatamente o que esperar, as atenções caíam sobre os responsáveis por tocar as partes de Andreoli, Kiko e Rafael nas gravações originais. Sim, isso não é tarefa simples, mas não tenho uma virgula para colocar nas performances. Todos tocaram com muita personalidade e correção, sem errar nada e conseguindo dar aquela sensação que estávamos em um show do Angra lá por 2004 num Canecão lotado. Entrar nessa e dar conta de partes tão complexas de instrumentistas acima da média não é para aventureiros, e o trio Raphael, Diogo e Roberto deu conta com sobras.
    Ai Edu se dirige ao público com um sorriso no rosto de arrepiar. Com aquele consagrado carisma "atrapalhadão" que sempre teve - quem não se lembra das célebres intervenções no DVD gravado no Via Funchal durante a turnê do Rebirth? -, comentou da dura que a banda tomou da polícia vindo pro Rio, fez piadas com os integrantes, público e tudo que tinha direito. Falou da saudade que tinha da cidade, agradeceu a casa por abraçar o projeto e prometeu pronto retorno para agraciar os que não conseguiram comprar ingressos. Isso basta para perceber o tamanho da felicidade do homem por fazer esse projeto. Num dado momento, ainda reproduziu em tom de ironia uma das falas daquele DVD ("vamos voltaaaaaaar no tempooo" para introduzir algum som de Rebirth).
     A balada Wishing Well, música que me apresentou o Angra na época de Temple of Shadows tocando diariamente na "falecida" Rádio Cidade, deu sensação de saudosismo semelhante aos que acompanharam cada verso. Caça e Caçador é uma das grandes surpresas do set, presente no EP Hunters and Prey. Como o público era profundo conhecedor de toda obra da banda, a letra em português foi cantada em uníssono. Angels and Demons chega colocando a pegada na 5a marcha, transbordando velocidade para fazer os bangers baterem a cabeça sem medo de ser feliz. Heroes of Sand já é certa em todos os shows de Edu com o Almah, e não seria agora que essa pérola de Rebirth não iria dar as caras. Claro que ouvir esse refrão maravilhoso é sempre de arrepiar! Nem só de clássicos Edu e Aquiles viveram naqueles tempos. Ainda assim, a celebração não iria esquecer dos discos menos consagrados. Breaking Ties foi a responsável por representar o "patinho feio" Aurora Consurgens, que para muitos é o início do fim dessa fase do Angra. Tem sua qualidade, mas honestamente, passa vergonha numa comparação com o que veio ao longo da noite.
     Na parte acústica da apresentação, Edu assume o violão - algo que fez muito ao longo do show -, e puxa aquele tema sempre pedido por todos. Pegasus Fantasy vem diferente, só no violão, mas empolga bastante como de costume. Ai o baile segue com versões para o hino do Iron Maiden "Flight of Icarus" - muito celebrada com direito a gritos de "Maiden" - e "Trem das Onze", do magnífico Adoniran Barbosa - também muito cantada, para provar que o público sacava de música boa em qualquer ritmo. Ainda na pegada acústica, é hora do Angra voltar. A única Late Redemption é para mim o ponto máximo do show. Ouvir essa pérola sempre me da uma paz de espírito única, principalmente quando ela aparece num show sendo cantada com tanto entusiasmo pelos presentes. Ai é hora de Aquiles brilhar no seu solo, que teve brincadeiras com a gravura de polvo no topo do kit e tudo. Como um dos donos da festa, seu nome foi muito celebrado mais uma vez.
     Ai começa a reta final na espetacular The Temple of Hate. A maravilhosa balada Bleeding Heart simplesmente arrepia, e Millennium Sun só arremata a porra toda. Que momento único foi esse! Waiting Silence é uma escolha óbvia, mas Live and Learn surpreende em mais uma lembrança de Hunters and Prey. A parte regular do show estava fechada com chave de ouro. Para o bis, as escolhidas foram os dois maiores clássicos dessa era, sendo o encerramento óbvio para a celebração que presenciamos. Sim, estou falando de Rebirth e Nova Era, que devastaram o local.
     Edu Falaschi teve uma noite de redenção. Sua fase de altos e baixos no Angra é um marco no Heavy Metal nacional, e ele parecia precisar reviver o enorme legado que deixou. Ainda cantando muito, teve uma noite gloriosa. Com o tempo, sempre ele, o público fez justiça ao que foi feito cantando com entusiasmo cada música num show lotado. A coisa era séria desde a escolha criteriosa da banda, elaboração do repertório e arranjos cuidadosos. Mesmo com o foco numa fase muito específica, o legado de Edu Falaschi na passagem pelo Angra é tamanho que muita música fantástica não conseguiu espaço no setlist. Podemos citar rapidamente Judgement Day, Unholy Wars, Morning Star, No Pain for the Dead e Winds of Destination por exemplo. Sinal de escolhas erradas? DE JEITO NENHUM. Apenas um indicativo de que ele fez muita coisa legal com a banda mesmo. Depois da apresentação, mais uma mostra da figura sensacional que é o dono da festa, e por consequência a banda. Atenderam cada fã que procurou por eles, de forma gratuita, pouco se importando com o tempo. Infelizmente não sabia que tinha isso, e acabei saindo antes, mas ainda assim realizado com o show incrível que presenciei!


sexta-feira, 21 de julho de 2017

GUNS N ROSES - APPETITE FOR DESTRUCTION

     Nos idos de 1987, a disputa por espaço no cenário da Sunset Strip era pesada. Todos estavam lá em busca de oportunidade, colocando flayer em qualquer centímetro de parede e tentando uma chance de tocar nos históricos clubes da região. O Guns N'Roses surgiu desse meio, juntando um time brilhante que chamava atenção por onde passava. Menos que isso tornava impossível algo parecido com o que a banda virou, já que nomes como Ratt, Motley Crue, Bon Jovi e Poison já dominavam tudo quando o assunto era Hard Rock, e não faltava concorrência para tentar igualar essa turma. Agora aquela banda era diferente, e com muito mais couro preto do que roupa colorida, o Guns estava pronto pro combate. Com todos os perrengues e loucuras da vida de futuras estrelas de Rock sem grana, e já com o ep de estreia Live ?!*@ Like a Suicide pra apresentar - numa mistura com Reckless Life e Move To The City ao lado das versões de Mama Kin (Aerosmith) e Nice Boys (Rose Tattoo) e meia dúzia de aplausos copiados em estúdio na cara dura -, era hora de chocar o mundo do Rock com uma das maiores estreias que se tem notícia. 
      Appetite for Destruction é o Guns N'Roses. Nunca na história do Rock se viu uma estreia tão bem sucedida, capaz de levar uma banda dos buracos undergrounds num dia até os estádios no outro. Isso se deve ao talento de Axl Rose, Duff McKagan, Slash, Steven Adler e Izzy Stradlin. Do playlist, não temos muito o que falar. O que mais pode acontecer com algo que começa direto em Welcome To The Jungle? A pedrada foi direto da 1a exibição na madrugada da MTV para o céu. Com um riff memorável e peso descomunal, é um dos momentos mais marcantes da trajetória da banda. Dali pra frente, o que se vê é uma coleção interminável de hits. Tome It's So Easy, Nightrain, Mr. Brownstone, Paradise City e toda sua insanidade, a indescritível Rocket Queen e o hit máximo Sweet Child O' Mine - de brincadeira de estúdio para um dos maiores riffs da história. Até coisas menos consagradas, mas não menos marcantes, como My Michelle, Out Ta Get Me, Think About You e sua melodia única e You're Crazy são de conhecimento básico para qualquer iniciado no assunto. 
       A verdade que, por mais que o Guns N'Roses esteja longe de ser a maior banda da história e seus integrantes idem, é inegável a relevância e tudo que essa estreia representou para o Rock mundial. No Brasil, os relatos de quem viveu essa época dão conta de uma verdadeira explosão quando o lançamento deu as caras pela Galeria do Rock. A trajetória tinha tudo para ser longa, mas o sucesso meteórico elevou tudo a enésima potência, fazendo que pouco a pouco essa formação inigualável fosse pro espaço. Felizmente boa parte dele se reuniu recentemente, mas os tempos são outros. Nunca mais teremos um Guns N'Roses que consiga igualar essa estreia bombástica. 

sexta-feira, 7 de julho de 2017

DREAM THEATER - IMAGES AND WORDS

    Um novo Dream Theater se reuniu em 1992 para lançar seu 2o disco. When Dream and Day Unite tem sua importância histórica, mas nunca o impacto ao menos parecido com o que a banda esperava. Assim sendo, James LaBrie é anunciado como a nova voz da banda que melhor fundiu Heavy Metal e Progressivo em todos os tempos. Junto de Mike Portnoy (bateria), Kevin Moore (teclado), John Myung (baixo) e John Petrucci (guitarra), o que seria a formação clássica da banda estava pronta para lançar o que esses 25 anos fariam ser sua obra-prima. O motivo dessa afirmação é muito simples. Images And Words tem tudo de melhor do cardápio do Dream Theater em 8 músicas magníficas. Um disco que é na verdade definição em dicionário do que a banda representa.  
     A abertura vem logo com o maior hit da carreira. Pull Me Under é completamente radiofônica para os complexos padrões do Dream Theater, tendo um refrão sensacional, riffs precisos e inesquecíveis, além de uma melodia simples e única. Uma aula de bom gosto nos mínimos detalhes. Já de cara, uma balada capaz de fazer qualquer brutamonte ficar manso segue a brincadeira. Ela se chama Another Day, e seu clipe fez história no auge da MTV. Pronto, a satisfação do ouvinte já estava garantida. Nessa mesma linha, Surrounded consegue ser ainda mais devastadora emocionalmente. Nela LaBrie manda seu "muito prazer" entregando a alma com a voz. Para entender o que é a banda, precisamos de algo longo e complexo nos mínimos detalhes instrumentais. Então toma Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper, a melhor música que Portnoy, Petrucci e sua turma já nos ofereceram. O efeito catastrófico que ela causou no show inesquecível da banda em 2012 no Brasil prova do que esse som é capaz. Aula de genialidade que mereceu inclusive uma sequência no não menos relevante Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, um dos grandes trabalhos dos caras. A saga de Portnoy contra o alcoolismo em forma de letra teve inicio com a espetacular Under a Glass Moon. O riff de Petrucci nessa aqui é de dilacerar corações dos que gostam de ouvir uma boa guitarra. Take the Time também tem grande destaque com a aula de baixo de Myung. Para fechar a conta, temos Wait for Sleep abrindo caminho para o encerramento magnífico com a épica Learning to Live. 
     Enfim, estamos diante de um playlist impecável em um dos melhores discos da história do Heavy Metal. A relevância dessa obra para quem curte um som mais trabalhado é enorme. Sem exageros e firulas, tudo aqui passa como um rolo compressor para os padrões do estilo. Awake é espetacular, mas ao meu ver essa obra é inigualável!