quinta-feira, 18 de maio de 2017

R.I.P CHRIS CORNELL

      A história do movimento grunge de Seatle começou com o peso da morte por auto destruição, que ao longo da história infelizmente foi um marco de seus gigantes. Uma banda chamada Mother Love Bone era apontada como a principal por todos. Seu líder, o genial Andrew Wood, era o grande líder de tudo que acontecia naquela cena e tido como o cara que tinha tudo para ser a maior estrela do Rock de sua geração. Aconteceu que sua morte mexeu pesado com toda aquela comunidade, mas deu ainda mais força para o estouro aquela altura já eminente. O ano da tragédia era 1990. O Soundgarden já tinha dois lançamentos razoavelmente aceitos, mas ainda longe do que estava por vir. Nirvana estava na mesma pegada - mesmo sendo uma banda que eu nunca curti, não tem como contar essa história sem cita-los. Já Alice In Chains e Pearl Jam estavam em vias de soltar ao mundo suas bombásticas estreias. Era questão de tempo de que, cada uma a sua maneira, conquistar o mundo num dos movimentos mais impactantes da história do Rock. 
       O Temple of the Dog juntou Pearl Jam e Soundgarden em homenagem a Wood num lançamento histórico e seminal. Lá pérolas como Say Hello to Heaven, Call Me A Dog e Hunger Strike foram eternizadas nos nossos corações. Este seminal trabalho foi lançado meses antes de Cornell e Vedder darem um passo importantíssimo em suas vidas, com Badmotorfinger e Ten respectivamente. O Soundgarden ganhava as arenas não só de Seatle, mas de todo mundo. 
       Badmotorfinger é um divisor de águas na carreira da banda. A entrada do baixista Ben Shepherd naquele momento foi algo que ajudou muito a arrumar a casa, ao lado do baterista Matt Cameron e do guitarrista Kim Thayil. Tava pronta a formação clássica. Pedradas como Rusty Cage, Outshined, Slaves and Bulldozes e Jesus Christ Pose são clássicos eternos do Rock N'Roll, numa das bandas de maior peso na sonoridade da época. Com o sucesso mundial, lá foram 3 anos para o sucessor chegar ao mercado. E que sucessor!
        Superunknown foi lançado em 1994, pouco tempo antes da morte de Kurt Cobain abalar as estruturas daquele cenário. Ainda assim, nada nesse mundo seria capaz de diminuir o impacto da obra-prima do Soundgarden. Superunknown mostra toda a influência do Black Sabbath no trabalho da banda, e apresenta mais um caminhão de hits. Black Hole Sun viu seu clipe psicodélico passar exaustivamente no auge da MTV. A balada espetacular é até hoje a música mais famosa e maior marco da obra de Chris Cornell. My Wave, a indescritível Fell on Black Days, Spoonman, The Day I Tried to Live (!!!), Like Suicide (que dia para pensar nela...) e a faixa-título são só alguns dos grandes momentos desse playlist irretocável de 15 músicas. 
       Depois da bomba que Superunknown representou, infelizmente a era clássica do Soundgarden chegaria ao fim. Down on the Upside foi o último e magistral registro dessa fase. Para variar, o trabalho obteve ótimo resultado com mais uma coleção de clássicos. Pretty Noose é o maior, mas Blow Up the Outside World, Burden in My Hand e Rhinosaur, por exemplo, não deixam por menos. 
      Ai veio a longa pausa da banda, e a deixa para a criação de outra grande banda que o homem eternizou. Como tudo que Cornell toca vira ouro, o Audioslave virou um dos maiores marcos do Rock nos anos 2000. Juntando ele ao baixo, bateria e guitarra do Rage Against The Machine, não tinha como dar errado. Para mim a banda não chega nem perto das que consagraram seus membros, mas deixou três ótimos discos e hits como Be Yourself, Doesn't Remind Me, Original Fire, Cochise e Like  A Stone. 
     Desde o fim do Audioslave, Cornell seguiu com sua carreira solo, que trouxe ao Brasil turnês acústicas e elétricas, e felizmente decidiu reunir o Soundgarden para lançar King Animal em 2012. Não teve a força dos clássicos, mas se trata de mais um grande disco com a marca da banda. Com isso, aconteceu o único show da banda no Brasil - que lamentavelmente eu não fui. Nos últimos anos de vida, Cornell se dividiu entre turnês acústicas, como a que tive o privilégio de ver no fim de 2016, e shows com o Soundgarden. Foi depois de um deles que uma das vozes mais marcantes da história do Rock se calou por conta própria. Cabe a nós respeitar sua decisão e agradecer de joelhos toda sua contribuição artística para o estilo que tanto amamos. Infelizmente a história de Wood, Cobain, Weiland e Staley se repete. Dos gigantes do Grunge, apenas Eddie Vedder continua de pé. Com a triste partida de Cornell, cabe a ele manter de pé tudo que essa turma genial conquistou!


terça-feira, 16 de maio de 2017

RESUMÃO DO MAXIMUS FESTIVAL

    O conceito clássico de festival é simples. Reunir várias bandas interessantes num espaço enorme para um público heterogêneo dentro de um seguimento. Poucas vezes eu vi isso ser cumprido tão a risca. Com uma pontualidade assustadora e intervalos curtos até demais - entre Slayer e Prophets of Rage nós merecíamos um ar -, o Maximus Festival de 2017 foi daqueles eventos que você volta para casa já imaginando possíveis atrações para o próximo ano. Com dois palcos principais lado a lado e um terceiro não tão distante para os padrões de Interlagos, quem pagou o ingresso inflacionado viu grandes shows com som impecável e ótima visão de qualquer local. Fora isso, a oferta de cerveja e alimentos era tranquila - mas infelizmente absurdamente cara! Tirando toda a burocracia para carregar as pulseiras e os preços abusivos de cada coisa vendida lá, foi uma das organizações mais impecáveis que já vi em eventos desse porte. Vamos direto para o que mais interessa - os grandes shows que pudemos curtir na tarde/noite de sábado. 
      Interlagos continua sendo um local distante e cansativo. Das áreas montanhosas que cercam o autódromo, a escolhida foi a menos pior para locomoção. Ainda assim, a terra dos dois palcos principais em caso de chuva ficaria lama pura. Felizmente isso não chegou nem perto de acontecer. Outro detalhe no mínimo perigoso foram as enormes pedras espalhadas no chão - que até onde sei não causou maiores estragos. Cheguei por lá 3h da tarde, pouco antes do show do Ghost ter início e com a meu ver fraca Bohseonkelz em andamento. Ao lado do Linkin Park, foi a apresentação mais fraca das que pude ver - mas também não chegava a ser ruim ao ponto de incomodar. Na verdade, o que derrubava mesmo era o vocalista absolutamente fora de forma vocal, já que no instrumental até foi um Hardcore bem honesto. Do que aconteceu antes disso, ouvi muitos elogios para o Hardcore puro, turbinado e sensacional do Hatebreed ao vivo. Curto a banda, mas o horário não ajudou em nada. Como já vi em ação, espero um retorno solo breve. Enfim, vamos ao primeiro grande show da maratona. 

GHOST

       Depois do Rock in Rio de 2013, o Ghost conquistou um público forte no Brasil. No festival, reuniu vários desses fãs em frente ao palco. O Show infelizmente acabou sendo cedo demais não só para o enorme público reunido num sol escaldante, mas para a apresentação em si que perdeu boa parte do efeito teatral. Para o Ghost, isso é importante, mas no final o que importa é amúsica, e essa nada consegue deter. Diferente de 2013, todos sabem exatamente o que esperar do show, tirando do caminho possíveis curiosos ansiosos pelo que vem mais tarde. Um papa com visual repaginado - muito mais para modelo italiano com roupa de grife do que para pontífice - mostrou grande performance vocal nas poucas músicas que teve direito. Para auxiliar, teve um público que tinha na ponta da língua cada verso. Vale lembrar que isso foi comum em todos os shows que vi ao longo da noite - algo raro em shows de arena. Uma coisa chamava atenção. Onde estava o Nameless Ghouls responsável pelo baixo? Na hora acabei me questionando sobre isso, mas depois fiquei sabendo que ele participou escondido na lateral do palco. Ago esperado, já que o som não mudou nem uma gota. Todos os instrumentistas presentes foram impecáveis. Começando com a nova e ótima Square Hammer, já no gosto do público, as únicas representantes dos dois primeiros trabalhos da banda foram as já clássicas Ritual e Year Zero. Essas foram devastadoras, mas From the Pinnacle to the Pit, Cirice, Absolution e Mummy Dust - todas representando o espetacular Meliora -não ficaram muito para trás. O gosto que deu para os muitos fãs presentes é de "quero mais". Mesmo em pouco mais de meia-hora, o Ghost deu seu recado com sobras em um dos grandes shows do festival!. 

PENNYWISE

        A disposição dos palcos principais deixou o público ver praticamente tudo que queria. Ainda assim, um 3o palco um pouco mais distante, mas não muito, apresentava atração em sua maioria de Hardcore. Do tempo que estive no Maximus, a única decisão plausível que tive de tomar foi entre Rob Zombie e Pennywise. Como nunca fui grande fã de Industrial, acabei ficando com o Hardcore puro e simples dos californianos. Sobre o Rob, os muitos fãs que circulavam com sua camisa elogiaram bastante a performance - algo esperado de um cara dessa relevância para a música. Isso posto, vamos focar no que eu vi. Seguindo a linha de bandas como Bad Religion e Rancind, o show é uma verdadeira aula para quem curte o estilo. Num espaço bem cheio e agradável, não foram poucos os que agitaram numa roda que teve direito até a calça voadora. Mesmo quem ficou mais de lado sabia cantar boa parte dos números. A formação muito pouco alterada ao longo da história -  Jim Lindberg (vocal), Fletcher Dragge (guitarra), Randy Bradbury (baixo) e Byron McMackin (bateria) - soube fazer exatamente o que se esperava deles. Teve tributo a Bad Religion (Do What You Want) e Ramones (Blitzkrieg Bop) - vale lembrar que as escolhas foram feitas no famoso levantar de dedo do público entre outras bandas citadas -, em meio a um repertório totalmente focado nos clássicos discos noventistas. Os trabalhos mais novos nem deram as caras. Destaque para as pedradas Fuck Authority, Society, Pennywise e My Own Country - com breve lembrança ao retardado que ocupa um dos cargos mais importante do planeta. A conta fechou com o famoso "ôôô" de Bro Hymn cantado em uníssono. Mais um show até acima das expectativas que a sequência oferecia. Mal começou o festival e já estava plenamente satisfeito!
    
        A hora do show do Slayer se aproximava, mas tinha mais antes. Já na dobradinha de palcos principais, o que consegui ver do Five Finger Death Punch me agradou bastante! Nunca curti o som deles ouvindo em casa, mas ao vivo os músicos se apresentam com categoria para dignificar o nome que já ostenta no cenário mundial. O número de fãs no local também chamou atenção. Como é praticamente impossível trocar de lado entre os shows, acabei indo para o canto direito, onde se apresentaria o Slayer. De lá escutei as últimas 3 ou 4 músicas. O intervalo mínimo de regra foi cumprido, e 6:20 em ponto Tom Ayara, Kerry King, Gary Holt e Paul Bostaph estavam prontos para devastar o lugar. 

SLAYER

      Julgando pelo número de fãs presentes, o papel do Slayer era de legítimo headline. Não foram poucos os que estavam lá com foco total no show dos reis do Thrash Metal - humildemente me incluo nessa lista. Mesmo com o peso da ausência do saudoso Jeff Hanneman e do monstro Dave Lombardo, os substitutos magistrais não fazem a coisa esfriar nem um grau. Divulgando o bom  Repentless depois de 4 anos do último show no país, nada poderia sair errado. A partir do 1o acorde da faixa-título do novo disco, vimos uma banda que não erra uma nota tocar para um público que tem cada verso na ponta da língua! 
        Não precisa nem citar que rodas homéricas eram formadas a cada metro da pista né? Com isso, consegui avançar até muito próximo da grade, vendo de muito perto o show naquele tradicional aperto de eventos assim. Nem pretendo alimentar essa disputa que ganhou a rede, mas não foram poucos fãs do Linkin Park saindo lá da frente de cara feia ou desmaiados. Disciple, o 1o clássico da jornada, fez 40 mil pessoas - menos os fãs desavisados do já citado headline - urrarem o título do disco God Hate Us All junto de Araya. Mesmo fora de forma, sua performance ainda é ótima tecnicamente e imponente na postura. Ai os fãs old school morrem do coração com a maravilhosa Postmortem vindo diretamente de Reign in Blood. Já Hate Worldwide foi uma sábia escolha para representar  World Painted Blood. Essa pedrada, que para mim é a melhor dos discos mais recentes, tem um refrão pronto para você cantar descontando toda sua raiva diária. Então a coisa fica fora de controle com a devastadora War Ensemble - tradicionalmente chamada por Tom perguntando se "estamos prontos". Essa entidade do Thrash Metal dispensa maiores comentários. Até When the Stillness Comes, que não me agrada tanto no disco, fica mais veloz e bem mais agradável ao vivo. Ainda assim, serviu para esquentar a sequência de hinos que viria daqui até o final - só de Seasons in the Abyss pra trás! A magnífica Mandatory Suicide é a 1a delas. Como emociona essa pérola ao vivo! Então a não menos impressionante Fight Till Death surpreende pinçada com carinho do irretocável Show No Mercy. Então Araya brinca que era vez de uma balada. Para os padrões do Slayer, Dead Skin Mask é quase isso. Holt e King mostram toda a precisão num show de riffs ecoando pelo local num som no volume certo. Ainda nessa pegada, as múmias do clipe que marcou época na MTV surgem junto de Seasons in the Abyss - momento para Bostaph mostrar ser o único homem nesse planeta capaz de substituir dignamente Lombardo no Slayer. Ai Hell Awaits arremata nossos corações de vez. A música que da nome ao 2o disco simplesmente arranca palavrões dos seguidores mais fervorosos da banda. 
     O fim se aproxima, e uma sequência obrigatória dita essa reta final. Existe adjetivo para descrever South of Heaven e Raining Blood? Amigo, a devastação provocada aqui fez a turma da frente ficar de tal maneira que se um cai era capaz da coisa ficar feia! O hino máximo do Thrash Metal emociona até uma pedra, e Black Magic em conjunto é a cereja do bolo. Essa é para mim a melhor música da carreira da banda, e sua audição ao vivo é algo para ser lembrado até o fim! Como se todos já não estivessem devastados, chega simplesmente Angel of Death para fechar a conta de uma apresentação para ser lembrada pelos próximos 10, 20 ou 30 anos! 

PROPHETS OF RAGE

      Nesse momento aparece um curioso defeito positivo do festival. O intervalo era tão curto que simplesmente não dava nem tempo de assimilar a antológica apresentação do Slayer. Foi a banda sair do palco para tentarmos voltar a atenção para o palco ao lado. Entre eles, tinha uma grade que impedia uma locomoção direta. Fiquei exatamente nela, ainda no espaço do palco da direita, mas com boa visão do esquerdo. Então a super banda formada por um Rage Against The Machine quase completo, além de B-Real do Cypress Hill e Chuck D do Public Enemy nos vocais invade o terreno para outra apresentação memorável da noite. Para muitos, a banda era o mais próximo de um show do Rage possível. O único ausente era o vocalista Zack de la Rocha, que não parece interessado em voltar. Já os geniais Tom Morello (guitarra), Tim Commerford (baixo) e Brad Wilk (bateria) fizeram exatamente o esperado. É indiscutível que Zack faz falta. Os dois lendários rappers se esforçam, mas a tarefa é dura. A banda está para lançar um novo disco, e dele Unfuck The World é adiantado. De resto, temos um pouco de tudo de espetacular produzido pela turma. 
      O Public Enemy é lembrado na faixa que da nome a banda e que abre o show, Fight the Power. Fora isso, rolou um medlay de rap só com o dj e a dupla de vocais no palco. Já o Cypress Hill é representado por How I Could Just Kill a Man. Com a participação especial da dupla Tim McIlrath and Zach Blair (Rise Against), somos brindados com o hino Kick Out the Jams do MC5 numa verdadeira aula de Rock N'Roll simples e direto. De resto, vai de clássicos do Rage em sequência. 
      Claramente era isso que o público queria. Maravilhas do porte de  Testify, Take the Power Back, Guerrilla Radio, Bombtrack, Sleep Now in the Fire, Know Your Enemy e Bulls on Parade transformavam a pista numa roda interminável. Entre tanta gente boa, o magistral guitarrista Tom Morello se destaca. Com o tradicional tom político que sempre adotou, o homem mostra porque é um dos melhores guitarristas de sua geração. Timbre perfeito, efeitos e solos surpreendentes e irretocáveis e apresentação dos clássicos que o eternizaram com perfeição deram a ele boa parte dos olhares. A festa da mistura que consagrou o Rage Against The Machine - o melhor do Rock e do Hip Hop com muita política no meio - deu o tom de outro show memorável na noite do Maximus. A mais que manjada Killing in the Name fecha a conta - obviamente cantada por todos. 

    Com todo o respeito ao headline Linkin Park, para mim o festival acabou aqui. Hora de recuperar a energia depois de tantos shows fantásticos comendo algo e dando voltas pelo local. Do pouco que vi muito longe do palco, percebo muita coisa enfadonha e algo interessante nas lembranças dos dois primeiros discos da banda. Já fui fã, e isso é algo praticamente inevitável para quem como eu iniciou no Rock por volta de 2003 e 2004. Em 2017, a banda não me diz absolutamente nada. Seu papel de headline é justo pela legião de fãs que tem, e sendo justo, esses acharam muito legal o show. Que cada um curta o que gosta na boa, sem disputa boba de page de fã clube infantil e fãs mais radicais de Metal. 
     Enfim, o saldo foi para lá de positivo. Um festival com diversidade e qualidade levou 40 mil pessoas dos mais diferentes estilos ao autódromo de Interlagos para uma maratona de ótimos shows. Muitos ficaram na memória e no fim o que reinou foi aquela certeza que se o line up mantiver esse nível, estaremos todos lá em 2018 para ter uma noite inesquecível de Heavy Metal! 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

IRON MAIDEN - FEAR OF THE DARK

    A saída do genial guitarrista Adrian Smith, primeira troca de formação desde Piece of Mind, foi obviamente sentida de imediato. Não que Janick Gers fosse desprovido dos predicados necessários para o cargo, mas a questão é que tem trocas simplesmente impensáveis. Gers colabora em composições além de ser um grande músico, mas com  No Prayer for the Dying o que se viu foi algo muito abaixo dos clássicos irretocáveis que o antecederam. Então no próximo disco não havia chance para a falha. Steve Harris, Bruce Dickinson, Dave Murray, Nicko McBrain e Gers precisavam apresentar algo inovador. É bom lembrar também que o momento era de ascensão Grunge em 1992, e muitas bandas de Hard Rock e Heavy Metal estavam mal das pernas depois de viver seu auge na década anterior. Muitos fãs ferrenhos da donzela até hoje não suportam nem ver a capa de Fear Of The Dark na frente, mas numa avaliação mais equilibrada podemos encontrar momentos irretocáveis nele. 
      Mesmo com alguma rejeição, os resultados foram fantásticos para a banda. Em que pese a relação já muito desgastada com o vocalista Bruce Dickinson - que deixaria a banda logo depois da turnê - o Iron Maiden fez um de seus giros mais bem sucedidos de toda carreira. Teve passagem pelo Brasil, a 2a na história, além do memorável show no Monsters of Rock de 92 como ponto máximo. Para falar da música em si, é impossível não começar pela faixa-título. Muitos odeiam ela com todas as forças e imploram de joelhos para que Harris chute ela do setlist pra ontem. Sabe porquê o patrão consegue dar um jeito de enfiar Fear of the Dark até em tours temáticas de uma era anterior ao lançamento do disco? Porque cada vez que o riff mais conhecido (isso é inegável) do Maiden é tocado, qualquer estádio do planeta vem abaixo! Falando da minha opinião a respeito dela, é impossível negar que a música é inspirada e funciona muito bem num show. Isso não significa que ela já não cansou faz tempo para quem conhece profundamente a obra da banda e não tem o vigor renovador de uma Number Of The Beast a cada audição. Agora eu tenho certeza absoluta que se o famoso "ohohohohohohoho'' não rola numa possível turnê, muitos fãs vão ficar com aquele sentimento que tem algo faltando. Obviamente muitos vão sentir um belo alívio. O fato indiscutível é que ela se tornou um dos grandes hinos do Iron Maiden. 
       Isso dito, o restante do playlist não apresenta aquela sequência irretocável de Powerslave e Piece of Mind por exemplo, mas tem algumas músicas simplesmente fantásticas. A melhor no meu entendimento é Afraid to Shoot Strangers. Seu começo arrastado com contornos épicos e explosão numa porrada daquelas é de arrepiar. Quem viu isso no Rock in Rio de 2013 sabe do que eu estou falando. Já Wasting Love foi eternizada como o 2o hit do trabalho. A balada é outra com riff que em segundos já remete ao Iron Maiden. O trabalho da dupla de guitarristas é inspiração pura. Momentos mais velozes chegam na também clássica Be Quick or Be Dead e em Fear Is the Key. From Here to Eternity fecha com classe a trilogia que narra a história da senhorita Charlotte - as outras são Charlotte the Harlot e 22 Acacia Avenue. Fora isso, eu ainda consigo destacar Judas Be My Guide - com melodia inspirada - e Chains of Misery. As outras não chegam a me empolgar. 
      Se a resposta precisava ser dada, o Iron Maiden foi muito bem sucedido com esse lançamento. Mesmo assim, o clima de Bruce com o resto da banda foi insustentável e um ciclo importante da carreira da donzela fecha aqui. Fear of the Dark, 25 anos depois ainda amado e odiado em longos debates entre fãs, amadurece muito bem ao teste do tempo. Se não tem o brilho de lançamentos da era de ouro, podemos considera-lo um momento importante na história do Iron Maiden - e por consequência do Heavy Metal em geral. 


sexta-feira, 28 de abril de 2017

SHOW DO SUICIDAL TENDENCIES - IMPERATOR - RIO DE JANEIRO

    Em algum dia daquele velho Imperator noventista, Slayer e Suicidal Tendencies faziam um show eternamente lembrado por quem viveu aquela época. De alguma forma inexplicável, a dupla se une mais de vinte anos depois no mesmo lugar. Dave Lombardo, uma eterna instituição do Slayer, junta seus dotes de maior baterista da história do Thrash Metal a uma lenda chamada Suicidal Tendencies há imprecisos dois anos. Esse é aquele tipo de casamento que é maravilhoso para todos. Lombardo estava precisando retornar a um gigante desde aquela estranha saída da banda que ajudou a fundar. Já a trupe de Mike Muir precisava de uma injeção de ânimo também depois de tantas trocas de formação. O público não preciso nem falar que simplesmente pirou. Dai veio o bom  World Gone Mad, lançado ano passado, e mais uma série de shows no Brasil.
     Para tal, um Imperator que no início da noite dava ares de incômodo vazio logo viu um ótimo número de bandanas e camisas pretas tomando conta da pista. Antes disso e ainda muito vazio, a abertura ficou por conta de um tal de La Raza. Veja bem, não é minha ideia esculhambar uma banda brasileira que batalha num underground tão complicado, mas o fato é que ao menos aos meus ouvidos seu som não agradou nem um pouco. Um New Metal com fortes doses de Hardcore e Rap formam uma verdadeira confusão sonora. O vocalista até parecia uma figura legal e comunicativa, mas não o suficiente para ganhar o público. Enfim, prefiro não me alongar muito em relação a isso.
      Por volta das 21:40, a pista já bem cheia estava pronta para receber as lendas Mike Muir e Dave Lombardo, agora acompanhados pelo já veterano Dean Pleasants na guitarra, Ra Díaz no baixo e Jeff Pogan também na guitarra. O baile começa com o hino máximo You Can’t Bring Me Down. Não precisa falar que de cara a casa veio abaixo né? A música foi bem alongada com altas doses de improviso, algo comum ao longo da noite. Mike se encontra numa forma vocal muito interessante, e ainda se movimenta no palco como garoto. Já o instrumental não errou um mínimo detalhe toda noite! Aquele baixo sempre forte, agora ao cargo de Diaz, é a base de tudo. Um Lombardo totalmente solto e adaptado ao som da nova banda era um show a parte! Ai a pancadaria  I Shot Reagan é um dos momentos mais devastadores de toda a apresentação. Nesse clima, a nova Clap Like Ozzy ganha muita força. Poucas vezes vi uma apresentação tão precisa em cima de um palco. Mike direciona um discurso político sobre o momento atual no Brasil e no mundo para arrematar o público de vez. É  a deixa perfeita para Freedumb, do disco de mesmo nome justamente lembrado. Vale lembrar, é o 1o de Dean como guitarrista da banda - hoje muito solto no papel de 2o membro mais antigo da atual formação. Trip at the Brain, mais um clássico do sensacional How Will I Laugh Tomorrow When I Can't Even Smile Today, coloca o Imperator todo numa roda daquelas. Get Your Fight On! é a outra nova a dar as caras. Living For Life seria a outra, mas no final foi limada do setlist - sendo assim a única diferença para o que a banda vem apresentando ao longo da tour. 
       Ai War Inside My Head forma a maior roda da noite até então. Sem dar um tempo mínimo para o público respirar, Subliminal devasta todos numa versão ainda mais porrada do que o clássico registro na estreia do Suicidal. Send Me Your Money chega quase como uma balada depois de tanta devastação, naquele inigualável funkeado que a banda sabe fazer como ninguém. A letra é também de sabedoria única. Ai Mike convoca os fãs para subirem no palco ao seu lado, e o que vimos foi uma zona maravilhosa. Obviamente não ia perder a oportunidade de olhar a bateria de Dave Lombardo tão de perto, e interagir com a banda toda de forma única. Difícil descrever a sensação de subir no palco de um show assim e por alguns minutos sentir exatamente o que eles sentem. Nesse clima, os clássicos Possessed to Skate e I Saw Your Mommy brindaram os sortudos fãs ali presentes. Depois de organizar a bagunça, o baile segue com Cyco Vision. Ai  How Will I Laugh Tomorrow, para mim a melhor música da carreira do Suicidal, ganha uma versão inspiradíssima como exige. Aquele show de solos, partes lentas e pesadíssimas em 6 minutos que representam o auge da banda quase fazem meu pescoço ir pro espaço! Ainda do mesmo trabalho, Pledge Your Allegiance fecha a conta com mais uma invasão minha e de vários presentes para cantar ao lado de Mike Muir. O famoso coro de ST foi puxado, e a noite fechada com chave de ouro! 
        O Suicidal Tendencies promoveu um dos shows mais impressionantes que já vi. Com um set aparentemente curto, as versões foram trabalhadas e apresentadas de maneira impecavelmente pesada. A humildade única dos caras se via do primeiro ao último minuto. com todos entregando brindes aos fãs depois do show. Para mim, o guitarrista Dean Pleasants entrega uma palheta praticamente em mãos já com o palco sendo desmontado. Era o fim de uma noite gloriosa para o Hardcore no Rio de Janeiro. Que essa nova fase fantástica do Suicidal se prolongue, a boa música precisa disso!

terça-feira, 25 de abril de 2017

SHOW DO RAIMUNDOS - CIRCO VOADOR - RIO DE JANEIRO

     Assistir show do Raimundos no Circo Voador é quase uma tradição rockeira no Rio de Janeiro. A banda que há mais de 20 anos faz história no Hardcore com peculiar toque de Forró do país, marca presença na lona sagrada pelo menos 2x por ano desde que voltou a se estabelecer com a nova formação no cenário. Assim sendo, e levando em conta que Cantigas de Roda já foi lançado há três anos, é fundamental inovar no show para motivar o sempre fiel público. Isso não vinha acontecendo nos últimos shows. Dono de uma discografia rica em ótimos momentos, Digão, Canisso, Caio e Marquim vinham fazendo praticamente um  "ctrl c ctrl v" desde a comemoração de 20 anos em 2015. Reflexo disso era um Circo ainda cheio, mas um pouco menos do que em jornadas mais recentes. Felizmente uma mudança forte no setlist aconteceu, com sábias inclusões de verdadeiras pérolas da carreira da banda. O resultado foi uma das melhores apresentações do Raimundos desde que voltou com força total ao mercado. 
       O aquecimento foi uma ótima sacada. Hey Ho, Let's Go, uma trupe de instrumentistas de sopro e percussão, tiraram alguns clássicos eternos do Rock num instrumental super original. O resultado foi diversão geral. Para completar, em meio ao show eles foram para a pista do Circo, e ai que pegou de vez. Todas entoavam as letras de coisas como Smoke On The Water, Paranoid e Highway To Hell se divertindo, e para completar, com o palco já se adiantando para a atração principal da noite. 
    Lá pela 1h da madrugada, o Raimundos estava no palco do Circo encontrando o cenário tradicional. Aquela roda firme comendo solta do início ao fim da noite. O início parecia mais uma repetição. Ainda assim, uma repetição das boas. Sempre é agradável ouvir Puteiro em João Pessoa, Bê a Bá  com leve toque de Slayer e a pedrada Nêga Jurema - todas diretamente do 1o grande disco da banda. Ai veio a 1a mudança de script. Simplesmente Bonita senhores, um dos grandes momentos do sensacional Lapadas do Povo. Para fechar um começo de show irretocável, nada melhor que dar um pulo no Lavô ta Novo com Opa! Peraí, Caceta. O ingresso estava pago! Então a banda decide voltar para o trabalho mais recente. Baculejo é um dos ótimos momentos do Cantigas, e já está no coração dos fãs. Obviamente nada comparado ao hino O Pão da Minha Prima, que sempre coloca os presentes para pular no seu ritmo único. Com um som simplesmente perfeito para proporcionar ao mais que entrosado quarteto uma performance sempre correta, é hora do grande momento da noite. A espetacular Sereia da Pedreira, raríssima nos shows da atual fase, mata qualquer verdadeiro fã da banda do coração. Para aqueles de ocasião, vem a mais que manjada Mulher de Fases, seguida da igualmente batida A Mais Pedida. O legal é que dessa vez a banda decidiu dar um certo intervalo naquelas 5 ou 6 mais "calmas" que costumam vir em sequência. Com isso, Gordelicia vai se estabelecendo como a principal do trabalho mais recente. A insuportável Reggae do Manero acaba compensada com o que vimos até ali, sendo mais um momento para merecido descanso do formigueiro.
     Ai a coisa esquenta novamente com a maravilhosa Esporrei na Manivela - precedida de uma lembrança para o aniversário do baterista Caio. Ai mais uma novidade da as caras, dessa vez a pedrada Rapante - mais uma do 1o disco da banda tocada com sangue nos olhos. Com a 5a marcha engrenada, Palhas do Coqueiro promove um wall of death de respeito na pista do Circo Voador. Vida Inteira chega com uma importante lembrança de Digão. A música é uma versão inspiradíssima para o clássico samba de Arlindo Cruz, que se encontra internado por problemas cardíacos. Digão lembrou sua gentileza, que além de liberar a música, permitiu até porcentagens para a banda. É sempre bom lembrar que a boa música não se limita ao nosso seguimento, tendo em outros estilos verdadeiros gênios. Além disso, roqueiro trevoso que deseja morte de um artista de outro estilo se achando superior é um ser humano digno de pena. Lembra quando disse que Sereia da Pedreira foi o grande momento da noite? Então esse próximo número pode dividir com honras o posto. Cintura Fina é tocada pela banda pela 1a vez na cidade em toda essa sequência de shows. A letra genial num Hardcore daqueles presente no lado c da estreia deixa qualquer fã incrédulo! Então as batidas  I Saw You Saying (That You Say That You Saw), para mim a melhor dessa leva, e Me Lambe ficam até de bom tamanho. O clássico cover para 20 e Poucos Anos de Fabio Jr sempre causa grande efeito. A tradicional e indispensável Deixa Eu Falar encerra o tempo regulamentar.
     Para o bis, Canisso sobe sozinho para o rap genial Boca de Lata. Ai um Raimundos em dia inspirado fecha a conta com os clássicos Tora Tora e Eu Quero Ver O Oco - a maior roda da noite. Foi um show surpreendentemente magnífico como há tempos o Raimundos não proporcionava. Prestes a divulgar no palco do Brasil todo seu novo DVD acústico, o show do Circo foi anunciado como despedida temporária das guitarras. Obviamente não poderia ser diferente da apresentação irretocável apresentada aos cariocas. É possível sim agradar a turma mais mainstream com sons batidos e fazer a festa da turma do hardcore - esses sim os que não perdem um show - com uma discografia da grandiosidade daquela apresentada pelo Raimundos. O Circo Voador viu mais uma grande noite, num casamento sempre perfeito. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

WHITESNAKE 1987

    Com uma alma no Blues e doses do Hard Rock direto a moda setentista em seus primeiros lançamentos, o Whitesnake ganhava corpo a cada trabalho. A banda sempre teve no vocalista David Coverdale um líder, e praticamente como tradição as mudanças de formação - algo que nunca causou grandes estragos na música. Nesse ponto, arrisco a dizer que é a banda com mais trocas na história do Rock, ou algo próximo disso. Em 1987, a banda chegava com a obra-prima Slide It In ditando o ritmo da década e uma tour mundial que teve até o lendário show no primeiro Rock in Rio. O que fazer agora? Muito simples, apenas lançar seu clássico absoluto e um dos discos mais importantes da história do Hard Rock. Whitesnake 1987 não é um simples disco, mas sim uma verdadeira coletânea de grandes hinos do Rock N'Roll, indo das baladas até a porradaria mais direta em meio a uma aula de John Sykes (guitarras), Neil Murray (baixo) e Aynsley Dunbar (bateria) - acompanhantes do chefe na nova missão. 
       Quer baladas mais Hard oitentista possível? Aqui tem Is This Love, que é talvez a mais conhecida delas. Looking for Love e a nova roupagem para Crying in the Rain não deixam por menos. Ai está com vontade de ouvir uma aula detalhada de Rock N'Roll em solos de tirar o fôlego e interpretação vocal digna dos grandes? Toma a magnífica Still of the Night para bater cabeça durante seis minutos no auge da carreira de Coverdale. Agora porradas bem dadas no melhor que o Hard Rock verdadeiro proporciona, nada melhor que a irresistível Bad Boys, a mais que clássica Give Me All Your Love e Children of the Night. E nada melhor que o hino definitivo Here I Go Again numa versão muito melhor que a lançada pela banda anteriormente para matar de vez o coração de qualquer fã. Notou que eu só citei clássico até aqui não é? Pois bem, agora essa verdadeira obra-prima ainda nos oferece mais! Don't Turn Away, uma das melhores e mais trabalhadas do Whitesnake, Straight for the Heart e You're Gonna Break My Heart Again fecham a conta de um daqueles discos que te faz pirar a cada segundo! 
        É muito complicado falar sobre uma obra irretocável. Whitesnake 1987 é uma dessas, e completa 30 anos ainda criança para os fãs da banda. O disco passou a ser base para qualquer show até os dias de hoje, já que apresenta simplesmente um apanhado de clássicos. Se você conhece bem o estilo, já tem esse repertório na ponta da língua. Mesmo assim, não custa lembrar sua relevância nesse grande aniversário de trinta anos!


quinta-feira, 6 de abril de 2017

ROCK IN RIO: ENTRE ALTOS E BAIXOS, UM SALDO POSITIVO NAS ATRAÇÕES PRINCIPAIS

    Falar do Rock in Rio sempre desperta paixões e diferentes visões entre os fãs de Rock no país. Muitos sabem, mas nunca é demais lembrar que o nome do festival não remete apenas ao estilo, mas sim ao termo "festejar" em Inglês. E sim, atrações de outros estilos se fizeram presentes desde os primórdios. Já falei também aqui, mas não custa repetir que a realidade do mercado no estilo em 1985 e 1991 era completamente diferente - tanto nas paradas de sucesso quanto no número de gigantes em ação. Não pretendo me alongar muito, então vamos direto ao que interessa - a edição de 2017 do evento. 
     O festival promoveu suas bizarrices tradicionais e cometeu erros graves. É duro ver apenas o Sepultura representando o Heavy Metal no Rock in Rio, e isso como uma atração mais que manjada por lá. Se os Headlines do estilo que carregam 80 mil pessoas num dia talvez se limitem a nomes como Metallica, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, System of a Down e quem sabe Judas Priest bem "auxiliado", nada impede que outros nomes componham o cast. Ao invés disso, foram chamadas atrações que até tem valor no seu estilo, mas que não combinam nem um pouco com o público que nomes como Aerosmith e Guns N'Roses carregam. De interessante entre os brasileiros, vi apenas o Ney Matogrosso com Nação Zumbi tocando Secos & Molhados e Titãs. Fora isso, uma coleção de nomes como Capital Inicial e Jota Quest (que tortura para o pobre fã do Bon Jovi!), mais manjados no festival que o especial de fim do ano do rei Roberto Carlos na Globo, e as tradicionais bandas "pagas" que o público não sabe de qual buraco saiu. Se tem dúvida, procure a entrevista do Doctor Phoebes assumindo a prática que rendeu para eles aberturas de, pasmem, Black Sabbath, Aerosmith, Guns N'Roses e Rolling Stones, além de participações no Lollapalooza, Monsters of Rock, Maximus e o próprio Rock In Rio. Isso são os que lembro agora, mas garanto que tem muito mais! Enfim, em relação ao palco sunset e shows brasileiros, o Rock in Rio de 2017 foi um desastre. Para não falar só em erros, um nome merece todo destaque do mundo entre os shows do dito "Palco secundário". Alice Cooper, que dispensa maiores apresentações, promete uma bela parceria com o não menos genial Arthur Brown.  
       Claro que erros também aconteceram em relação a bandas gringas. Submeter os fãs de Red Hot Chili Peppers a uma banda como 30 Seconds to Mars e o fã do Aerosmith a Fall Out Boy é brincadeira de péssimo gosto! Incubus também passa longe de me agradar, mas não chega a esse nível. Já Tears For Fears também não faz minha cabeça, mas respeito sua história e vejo como bem pertinente sua participação no dia do Bon Jovi - em que pese o lançamento de apenas um disco nos últimos 22 anos (!). Neste mesmo dia, a presença do Alter Bridge foi uma grata surpresa. Enfim, vamos falar do grande gol do Rock In Rio.
      Nesse ano, o acerto está na dupla de atrações principais de cada dia. Destaco entre todas os inacreditáveis shows do Def Leppard e The Who no Brasil, feito que só o senhor Medina é capaz de realizar. Fora eles, Offspring também faz uma bela dupla com o sempre interessante Red Hot Chili Peppers. Aerosmith E Guns N'Roses apareceram aqui ano passado mesmo, mas nunca fazem feio. Dois shows espetaculares com satisfação garantida! Já o Bon Jovi passa por um momento péssimo em estúdio, e no palco mesmo já esteve bem melhor em tempos recentes. A ausência de Sambora pesa demais, mas a história de uma banda com Slippery When Wet e New Jersey no currículo faz valer um pingo de esperança de vermos o senhor Jon, atualmente mais dono do que nunca,  numa boa jornada. Vou arriscar nessa. Em resumo, ótimos nomes para comandar o palco mundo, e erros em atrações menores, que coisas como The Who e Def Leppard minimizam. Do primeiro fim de semana, não pretendo comentar. O festival promove misturas, e de outros estilos, vale lembrar que Lady Gaga por exemplo é uma moça talentosíssima! Num total, quatro dias de Rock com grandes bandas em todos já vale a edição. 
      Entre erros e acertos, o crédito do festival em 2017 é positivo na minha avaliação. Será que em 2019 os erros serão corrigidos? Duvido muito, o festival segue uma linha muito clara de bizarrices desde sua fundação. No final, me resta agradecer a mais alguns sonhos realizados por esse festival que promove desde 1985 uma revolução no mercado brasileiro de shows.