O ano de 1986 marcou o auge do Heavy Metal em cada canto do mundo, e o Brasil pós-ditadura estava em sintonia com o 1o mundo do estilo. Um dos muitos grandes trabalhos lançados naquele ano pelos pioneiros do Metal BR é Vingança do Azul Limão - uma verdadeira obra-prima da nossa música. Essa obra completou 30 anos nesse domingo, dia 28 de agosto de 2016, e foi devidamente celebrado no principal bar de Rock N'Roll da cidade do Rio de Janeiro. O responsável por isso foi o irmão Metalmorphose, que ainda ativo hoje conta com o guitarrista da banda Marcos Dantas - numa ponte óbvia.
Com um público lamentavelmente baixo num bar que costuma arrebatar multidões em shows covers escancara um grave problema da cena brasileira. A falta de interesse do público em procurar bandas clássicas, se contentando com uma dezena de músicas de uma dezena de bandas é praticamente desenhada na nossa cara como uma prova irrefutável. Isso posto, quem foi viu a história acontecendo. Com a presença de um cara como Marcos "Animal" - batera original do Dorsal Atlântica - deixando a noite ainda mais nobre, o Metalmorphose começa a brincadeira com seu set regular.
Tavinho Godoy (vocal), Marcos Dantas e PP Cavalcanti (guitarra), Marcelo Val (baixo) e André Delacroix (bateria) desfilam alguns dos clássicos do Metalmorphose nessa história de mais de trinta anos. Vá Pro Inferno, Cavaleiro Negro, Máscara e Corda Bamba - presenças obrigatórias em qualquer show da banda - são apresentadas com a categoria de sempre. O som alto e nítido da ótima casa proporciona isso. Então chega a hora da festa.
André, Tavinho e o azulino Marcos permanecem no palco. Ai o convidado especial Vinicius Mathias assume o baixo, tendo assim meio Azul Limão no palco. Sem nenhum ensaio dessa formação, o resultado é muito satisfatório. Em que pese o deslize de Tavinho no início de O Grito, o vocalista se saiu muito bem nas versões para músicas que não são feitas para a sua voz. O disco é apresentado quase na sua íntegra. Marcos Dantas da um show de improviso na guitarra nas músicas que cravaram seu nome na história do Heavy Metal brasileiro - soando como se não fosse amanhã. A magnífica Sangue Frio vem em seguida. Uma das verdadeiras pérolas do Heavy Metal brasileiro emociona quem marcou presença no calabouço. Não Vou Mais Falar, o hino Satã Clama Metal e a porrada Vingança encerram a celebração ao Azul Limão.
A formação atual do Metalmorphose se junta no palco novamente. Com quatro hinos do porte de Maldição, Desejo Imortal, Jamais Desista e Minha Droga É O Metal fecham a noite, uma grande noite para quem aprecia o suprassumo do Heavy Metal brasileiro - e nesse caso específico - carioca. Com um clima de festa de amigos, o Azul Limão recebeu a homenagem que merecia numa data tão especial. Nos dias atuais, o Heavy Metal praticado pelos pioneiros realmente não é música feita para multidões. Os tempos são complicados nesse aspecto. Ainda assim, guerreiros da cena como os membros do Metalmorphose ainda brigam e perpetuam essa chama acesa. Enquanto for possível, vamos lutar ao lado deles!
Uma pequena lembrança da noite, eu ao lado de Tavinho, PP, André e Marcelo, forma minha namorada Mariana e meu camarada Akio.




